Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/11/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida no século XXI, possibilitou o encurtamento de distâncias, permitindo a troca de informações entre as pessoas de todas as regiões do planeta. Contudo, esse cenário fomentou o surgimento da cultura do cancelamento, a qual, atualmente, está se mostrando como um problema, devido à violação da liberdade de expressão dos indivíduos e à má influência midiática.

Nesse contexto, em primeira análise, o direito que permite às pessoas se manifestarem sem medo de represálias está sendo ferido pelo cancelamento. Isso acontece, pois, normalmente, quando um cidadão posta algo que não agrada a maioria dos indivíduos, ele, obrigatoriamente, é forçado a retirar sua publicação para não ser linchado. Dessa forma, é notório que a liberdade de expressão, prevista pela Constituição Federal de 1988, está sendo lesada, já que o sujeito tem que se calar para não ser denegrido virtualmente, como é o caso da atriz Rafa Kalimann, que foi infeliz ao publicar um TikTok dublando um trecho de um julgamento de estupro, em novembro de 2020.

Ademais, em segunda análise, os meios midiáticos influenciam negativamente a cultura do cancelamento. Tal fato ocorre, porque, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, “a mídia, que deveria ser uma ferramenta de democracia, tornou-se um instrumento de opressão”. Nesse perspectiva, é possível observar que os meios de comunicação social, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, apenas ocultam e filtram os riscos do cancelamento de um indivíduo, deixando de trabalhar, por exemplo, casos como o de Byron Reckful, que se suicidou após ser cancelado.

Portanto, tendo em vista os aspectos abordados sobre a violação da liberdade de expressão e a má influência dos meios de comunicação, é preciso que medidas sejam tomadas. Cabe ao Governo Federal, como instância máxima de poder do Brasil, conscientizar os indivíduos sobre a necessidade de respeitar a liberdade de fala que cada pessoa possui, por intermédio de campanhas publicitárias, para que, desse modo, todos os cidadãos possam dizer o que quiser nas redes sociais sem correm o risco de serem cancelados. Além disso, é necessário que a Mídia, grande difusora de informações e principal meio formador de opiniões, divulgue notícias sobre os danos causados pelo cancelamento, por meio das redes sociais, para que, dessa forma, a sociedade se informe e deixe de ser influenciada negativamente pelo o assunto.