Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/11/2020
Durante a década de 1960, jovens do mundo todo foram às ruas manifestar e dar voz a causas importantes, como racismo e homofobia. E foi com o intuito de chamar atenção para temas sociais, que surgiu a “cultura do cancelamento”. No entanto, nos últimos anos tal ação tem se tornado radical, uma vez que passou a ser um meio de punição e não de transformação. Assim, tendo em vista que, a carência de empatia e o individualismo são causas desses comportamentos julgadores, fica claro quão relevante é discutir a problemática.
Em primeiro lugar, convém ressaltar que, de acordo com o sociólogo Zygumt Bauman, a sociedade tem vivido a “Modernidade Líquida”, a qual caracteriza-se por fragilidade das relações e pelo pensamento individualista. Dessa forma, o cancelamento virtual é um reflexo desses atos, já que as pessoas esqueceram-se da ideia de coletividade e solidariedade, passando a criticar e atacar a reputação daqueles que apresentaram uma conduta errada. Por conseguinte, os casos de depressão estão aumentando, dado que os indivíduos “cancelados” não tem a oportunidade para se redimir pelos erros, e com isso são isolados e excluídos.
Ademais, conforme afirmou Michel Foucalt, “Tolerar a divergência, só assim poderíamos nos livrar da prisão do pensamento”. Logo, escassez de compaixão e amor ao próximo, gera um corpo social extremamente intolerante e incompreensivo, visto que os considerados “juízes da internet” sentem-se superior e tendem a enxergar apenas as falhas do outro. Consequentemente, uma grande parcela da população sofre com críticas maldosas, que desencadeiam em muitas situações transtornos psicológicos.
Diante do exposto, são necessárias medidas, a fim de mitigar o impasse. Para tanto, urge que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, promova campanhas de conscientização, através de debates, palestrar e divulgações publicitárias, com intuito de construir um sentimento de sensibilidade e empatia com as circunstância do outro. Desse modo, será possível viver em uma comunidade que ao invés de julgar e punir, ampara e ajuda pessoas que erraram, ensinando-os a serem melhores e evoluídos.