Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 06/11/2020

Na mais recente edição do programa de reality show brasileiro “Big Brother Brasil” causou diversas discussões nas redes sociais, na plataforma do Twitter principalmente. O efeito da “cultura do cancelamento” teve um grande espaço, uma vez que foi observada uma conduta de julgamento coletivo em escala nacional, no qual quase todos os participantes tiveram seus atos, falas, e até mesmo aparências como alvo de linchamento virtual. Na realidade brasileira hodierna, tal cultura figura como um dos principais entraves a ser combatido, visto que possui características violentas e autoritárias. Isso ocorre não só porque o Brasil é país historicamente intolerante, mas também por possuir sociedade pautada pelo controle.

Primeiramente, seguindo essa ideologia, fica evidente que um dos precedentes desse revés é a falta de empatia que é notada no comportamento da população. Analogamente, o conceito criado por Michel Foucault chamado a microfísica do poder, profere que o poder está estruturado na sociedade por meio das diversas instituições que disciplinam o indivíduo para que ele aja dentro dos limites morais e sociais impostos pelo Estado. Melhor dizendo, as pessoas criam um desejo de colocar ordem, justificando dessa forma a atitude de julgar que também está presente na cultura do cancelamento, já que é uma forma simples e rápida de conseguir essa sensação de poder instantâneo.

Ademais, esse hábito de julgar a todos de maneira severa e violenta nas redes sociais reflete negativamente no bem-estar psicológico dos indivíduos que recebem os ataques. Existe o direito da liberdade de expressão previsto no Artigo 5° da Constituição Federal de 1988, porém, conforme diz o filósofo inglês Herbert Spencer, a liberdade de cada um termina quando começa a do outro. Ou seja, há um grande transtorno em discernir um discurso de ódio de um discurso que apenas está expondo sua opinião, tendo em vista que a maioria dos julgadores militantes presentes na internet fazem comentários que acabam com a dignidade do alvo dessas postagens maldosas.

Diante dos fatos apresentados, as medidas para resolver esse empecilho se fazem claras. Cabe ao Governo Federal, por meio de uma lei formal, elaborar um órgão público específico para que o mesmo fiscalize de maneira mais eficaz os comentários postados em diversas plataformas digitais. Assim, as postagens que contenham conteúdo de ódio voltadas para o “cancelamento” de alguém deverão ser excluídas permanentemente da rede social, e o responsável pela publicação de tais mensagens deverá ser banido, temporariamente ou até mesmo por tempo indefinido do site. Desse modo, será possível tornar a internet um local saudável para todos os usuários, fazendo com que o ambiente também fique aberto para diversos debates com boas colocações e sem qualquer tipo de preconceito explícito ou implícito durante as falas.