Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

Com crescimento das interações entre as pessoas por meio das redes sociais, estas ganharam finalidades e usos que extrapolam as relações de amizades virtuais ou compartilhamento de experiências e informações. Nesse âmbito, surgiu a cultura do cancelamento, a princípio, como uma forma de forçar debates e punições de pessoas ligadas a questões discriminatórias e outros delitos que eram blindados por relações de poder. Contudo, com o passar do tempo, se vê que em muitos casos não é o que tem ocorrido, pois, a prática do cancelamento tem representado o linchamento virtual de pessoas por mera divergência de pensamentos, com acusações sem qualquer oportunidade de defesa. Diante disso, vale perguntar, como essa forma de “cancelamento” tem sido utilizada, ela efetivamente cumpre seus objetivos iniciais, ou tem servido para atacar e destruir a reputação de pessoas sem chance de defesa ?

Nesse contexto, pode-se dizer que um dos primeiros movimentos que representam a cultura do cancelamento foi o “MeToo”, que tinha como principal objetivo a denúncia de abusos sexuais em meio à indústria do entretenimento. Tal movimento trouxe diversos aspectos positivos, como a prisão de abusadores antes blindados por suas posições sociais. Entretanto, não é isso quem vem se vendo em outros movimentos, que demonstram como finalidade o ataque e destruição da reputação da pessoa, causada às vezes por divergência de opiniões. Tem-se o exemplo do influenciador Felipe Neto, constantemente atacado nas redes sociais por suas posições políticas.

Dessa forma, o movimento do cancelamento vem prejudicando diversos valores muito importantes para nossa sociedade, como o direito de legítima defesa e a integridade da honra, ocasionando por conta disso um aumento da propagação de “fakes news”, destruindo, assim, toda a reputação da pessoa, sem defesa, o que é garantia de todo acusado segundo a Constituição do Brasil.

Portanto, mesmo com alguns aspectos positivos, como a provocação do debate sobre questões importantes na sociedade, a cultura do cancelamento é um fenômeno perigoso, que deve ser combatido quando representar um mero linchamento virtual. Para isso, cabe às redes sociais, governo federal, e instituições estudantis a criação de campanhas de abordagem das consequências da cultura do cancelamento, a fim de as pessoas compreendam que o julgamento sem defesa e exposição social negativa pode causar injustamente danos irreparáveis aos atingidos. Com essas medidas, a sociedade poderá, gradativamente, evitar e controlar o uso indevido do cancelamento virtual.