Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

No século XIII, a Igreja Católica criou o Tribunal do Santo Ofício, também conhecido como Inquisição, para julgar e condenar práticas consideradas contrárias a fé católica. Posteriormente, tal instituição passou a julgar e punir à morte mulheres que eram tidas como bruxas. Fazendo um paralelo com a contemporaneidade, podemos ver que assim como naquela época, certos grupos da sociedade passaram a condenar atitudes de famosos e anônimos dentro das redes sociais,  usando pré-julgamentoS e agindo por impulsividade, antes da confirmação dos fatos, mas, sempre impactando a sociedade, solidificando a cultura do cancelamento.

Tendo isto em mente, vê-se que um sentimento de poder julgador emana das mídias sociais, fazendo com que qualquer usuário possa comentar casos polêmicos de acordo com sua impressão e opinião, muitas vezes sem reflexão e bom senso, levando a equívocos já que nem sempre  os fatos são contados veridicamente. Tem-se como exemplo o caso do americano Emmanuel Cafferty, que ao fazer um sinal de “ok”, foi confundido com um gesto racista usado por organizações segregastes, tendo seu vídeo viralizado e então sendo “cancelado” nas redes, perdendo seu emprego. Logo, essa impulsividade leva muitos ao pré-julgamento e preconceito sem antes saberem de todos os fatos verdadeiros, gerando confusões desnecessárias.

Ademais, vê-se que esse julgamento da sociedade que atua nas redes pode trazer impactos com consequências tanto positivas, quanto negativas, caso haja equívocos na análise situacional, como o caso de Cafferty. Assim, sendo, pautas e movimentos que buscam por justiça social ganham visibilidade nas mídias por meio dessas críticas que tem o imenso potencial de causar um impacto social grande. Um exemplo é o movimento da hashtag “me too” para que as pessoas, do mundo todo, possam denunciar e expor casos de assédio e abuso de forma que elas sejam ouvidas. Sendo que cerca de mais de 200 homens influentes foram depostos de seus cargos por meio da hashtag segundo o jornal The New York Times. Destarte, observa-se a voz que muitos antes calados ou ignorados recebem por meio de movimentos como esse que surgem dentro da cultura do cancelamento.

Logo, os próprios usuários das redes sociais devem, por meio da reflexão devida e da empatia, analisar todos os acontecimentos de fato comprovados e todos os lados da moeda, para então formular uma opinião embasada em fatos reais, mesmo sem sair do âmbito de sua cosmovisão pessoal. Tendo isto como base para que as críticas pessoais, que se aglomeram a uma massa de pensamentos de linhas de raciocínio semelhantes, venham a causar na sociedade impactos benéficos e justos, de modo que a voz e a visibilidade na mídia sejam dadas às pessoas e grupos que precisam.