Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/11/2020
A cultura do cancelamento surgiu há alguns anos a partir dos novos movimentos sociais, diretamente ligados às novas mídias, como um meio de denunciar injustiças sociais e o descuido com o meio ambiente. Entretanto, o que surgiu como uma forma de dar lugar de fala às minorias, atualmente está diretamente ligado à cultura do “hate” e do ódio. Assim, nas redes sociais, o cancelamento virou uma forma preocupante de coerção moral, intensificada pelo anonimato e pela falta de diálogo.
Nesse sentido, é fundamental ressaltar a imposição social de padrões “adequados”, tanto de beleza quanto de comportamento, como um fator que intensifica a negativa cultura do cancelamento. Dessa forma, o cenário das redes sociais, que amplifica a exposição pessoal, se mostra extremamente propício para o desenvolvimento dessa cultura, uma vez que as “imperfeições” e os “erros” também são mais expostos. Portanto, as pessoas, de uma forma geral, propiciam uma desproporcional coerção moral, expressão definida pelo sociólogo francês Emile Durkheim.
Ademais, é de extrema importância salientar o anonimato de inúmeros usuários das mídias sociais como um aspecto imprescindível para a atual cultura do cancelamento. Desse modo, como não há identificação das pessoas, diferente do que ocorre na vida cotidiana, muitas delas se sentem no “direito” de ofender os “cancelados” sem promover um diálogo, o que aumenta significativamente o ódio na internet.
Logo, é função das redes sociais - Instagram, Facebook e Twitter - , por meio de seus sites e aplicativos, promoverem campanhas que abordem a cultura do cancelamento e suas consequências negativas, com o intuito conscientizar os usuários e reduzir a sanção moral que propaga padrões irreais. Além disso, cabe ao Poder Público promover justiça sobre os “cancelados”, por meio do julgamento e da punição dos usuário anônimos, em especial aqueles que promovem calúnia e difamação, com o objetivo esclarecer que não existe um verdadeiro anonimato e promover a reflexão sobre a cultura do ódio e a falta de diálogo.