Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
O cancelamento é uma prática que, segundo o psiquiatra Galiano Brazuna, ocorre quando uma pessoa ou empresa expressa uma opinião questionável ou adota uma conduta tida como inaceitável para a moral de uma sociedade e é seguido por um boicote popular dentro das redes sociais. Apesar da intenção parecer nobre, tal atitude assemelha-se mais a uma punição do que uma reclamação construtiva, criando, assim, uma mídia digital injusta e intolerante, a qual incentiva a apatia.
Em primeira análise, observa-se o uso das redes sociais como principal campo de atividades desses boicotes. Tal fator é extremamente preocupante, pois favorece a intolerância. A mídia é um veículo de informação, de liberdade, mas que vem sendo usado como um instrumento de opressão, plantando na cabeça da população ideia de que uma pessoa é definida pelo seu pior momento erro ou momento, impossibilitando qualquer chance de redenção para ela.
Ademais, por conta do achismo e pela falta de conhecimento, muitas vezes o julgamento é injusto e precipitado, e as consequências são inúmeras e alarmantes. São casos que podem chegar a níveis extremos, como o do streamer Reckful, que, por conta do isolamento social imposto como resposta a pandemia, teve de pedir sua namorada e casamento pelas redes sociais e foi duramente criticado por isso apesar das circunstâncias, levando ele, que já sofria com problemas mentais, a tirar a própria vida.
Portanto, é preciso tomar medidas para mudar esse cenário de injustiça e intolerância. Com o apoio de especialistas, devem ser criadas campanhas dentro das mídias digitais alertando os usuários sobre as consequências negativas da cultura do cancelamento, mostrando a injustiça existente e fazendo as pessoas desenvolverem um pouco de empatia e olharem para si antes de apontar dedos. Também cabe às escolas trazer esse debate pro cotidiano dos mais jovens, os quais são altamente influenciada pela cultura digital. Assim, a população se torna conscientizada e empática, mais propensa a aceitar mudanças e incentivar a pessoas a mudarem para melhor.