Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/11/2020
Em meados de 2017, o termo “cancelamento” surgiu para nomear uma prática virtual que já vinha acontecendo: o boicote a personalidades (famosas ou não) que cometeram algum erro dentro e fora do espaço virtual. Isto vem se tornando um problema em 2020, pois todos querem ser “juízes”, por não terem empatia e quererem ser “superiores” com quem está sendo cancelado. Porque, vale lembrar, que quem cancela também erra.
Em primeira análise, tem-se o problema da falta de empatia dos canceladores. Pessoas pouco empáticas valorizam as ações que cometem e, contudo, criticam duramente as dos outros. Este é um dos sinais mais frequentes de uma pessoa com pouca empatia, pois não estabelece vínculos desde uma igualdade real, mas desde o complexo de superioridade ou, por vezes, também desde o complexo de inferioridade. Pessoas assim precisam mudar, e há formas para isso.
Já o fato de que quem cancela quer ser “superior” pode ser explicado pois a sociedade de hoje em dia, em sua grande parte, só respeita quem humilha os outros, porque estas pessoas gostam de ver outras sofrerem, não é à toa que existe a expressão “rir da desgraça alheia”. Isto é um problema muito sério e precisa mudar.
Portanto, diante de todos os fatos expostos acima, percebe-se que há a necessidade da promoção de uma campanha educacional sobre a importância da empatia, feita pelo MEC e por meio das escolas e universidades, para que este sentimento se desperte nos jovens, que são quem mais cancela hoje em dia, ao mesmo tempo em que o Poder Público, em parceria com as mídias digitais, deve desenvolver programas de anúncios nas redes, alertando sobre os efeitos do discurso e ódio e do cancelamento, de modo a conscientizar os usuários e estabelecer o respeito no ambiente virtual. Só assim a internet pode se tornar um ambiente mais tolerante.