Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

O episódio “Queda Livre” da série “Black Mirror” produzida pela Netflix, apresenta uma realidade utópica na qual os indivíduos recebem pontuações à respeito de suas atitudes, responsáveis por limitar parte dos direitos destes. A partir do método, todos se sentem no direito de julgar e conformam-se com o detrimento da qualidade de vida de uma parcela da comunidade. Analogamente, o linchamento virtual passou a ser um conflito marcante do século XXI. Dessa forma, já é existente o debate sobre a chamada “cultura do cancelamento”, pois muitas pessoas ultrapassam a lei a fim de saciar seus objetivos pessoais. Assim como o silenciamento daqueles que se opõe a esta forma de punição, já que não querem sofrer o mesmo.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o artigo 5 da Constituição Federal de 1988 define que ninguém deverá ser considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença condenatória. no entanto, a lei não é obedecida à medida que a população se une em prol de medidas graves fora do área tribunal. A exemplo de tal, destaca-se o suicídio do influenciador de jogos Byron Bernstein, conhecido como Reckful, após receber severa rejeição nas redes sociais ao desobedecer as medidas de distanciamento social durante a pandemia do Covid-19.

Em segunda análise, cabe destacar a teoria nomeada “Microfísica do Poder” desenvolvida pelo filósofo Michel Foucault, a qual diz que o poder não está em um só lugar ou em uma só pessoa, mas sim está na rede composta de saberes e discursos. Ou seja, um grupo mantém-se coeso por causa do seu discurso. Logo, os indivíduos se sentem precionados a obedecer uma ideia para não serem excluídos. Assim como o caso da cantora Letrux, ao receber inúmeras críticas ao divulgar uma turnê com a banda Carne Doce, envolvida em polêmicas após o baterista ter sido acusado de abuso, todos os shows em parceria foram cancelado pela cantora em seguida.

Portanto, a realização de medidas pelo Governo Federal tem suma importância para a alteração desse cenário. Cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, promover uma lei para punir aqueles que incentivarem a violência a um alto público nas redes sociais contra uma indivíduos à fim de protegê-los como cidadãos. Outrossim, o mesmo agente por intermédio do ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve promover campanhas midiáticas sobre consciência nas relações digitais, para que os expectadores saibam defender sua integralidade e ter noção de seus direitos na internet. Dessa maneira, a problemática encontrada no universo utópico  da série Black Mirror permanecerá apenas na ficção.