Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/11/2020
A cultura do cancelamento surgiu há alguns anos a partir dos novos movimentos sociais, diretamente ligados às novas mídias, como um meio de denunciar injustiças sociais e os descuidos ambientais. Entretanto, o que surgiu como uma forma de dar lugar de fala às minorias, atualmente, está diretamente ligado à cultura do “hate” e do ódio. Assim, nas redes sociais, o cancelamento se tronou uma forma de preocupante de coerção moral, intensificada pela proporção das sanções, pela falta de diálogo e pelo anonimato.
Nesse sentido, é fundamental ressaltar a coerção moral - conceito definido por Emilé Durkheim como a pressão exercida pelos membros da sociedade -, ampliada pela internet, como um fator que intensifica a negativa cultura do cancelamento. Dessa forma, as redes sociais se mostram extremamente propícias para o desenvolvimento dessa cultura, uma vez que amplificam a exposição pessoal e, consequentemente, tornam as “imperfeições” e os “erros”, que não condizem com o comportamento socialmente esperado, também mais expostos. Desse modo, a sanção moral passa a ser imposta de forma injusta por milhares de usuários, na maioria das vezes indispostos ao diálogo.
Ademais, é de extrema importância salientar o anonimato de inúmeros usuários das mídias sociais como um aspecto imprescindível para a atual cultura do cancelamento. Dessa maneira, devido a não identificação das pessoas, diferentemente da vida cotidiana, muitas delas se escondem em perfis falsos e se sentem no “direito” de propagar calúnias e difamações sobre os “cancelados”, o que só aumenta o ódio na internet.
Logo, cabe as próprias redes sociais promoverem campanhas que abordem a cultura do cancelamento e suas consequências negativas, por meio de seus sites e aplicativos - Instagram, Twitter e Facebook -, com o intuito de conscientizar os usuário e reduzir a coerção moral que propaga padrões irreais. Além disso, cabe ao Poder Público promover justiça sobre os “cancelados” por meio do julgamento e punição dos “anônimos”.