Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

Segundo Santo Agostinho, o defensor da imortalidade da alma, cada indivíduo pode usar o bem ou o mal conforme sua liberdade de escolha. Dessa forma, o mesmo afirmou que é no mau uso do livre-arbítrio que estaria a origem de todo mal. Deveras, tal tese confirma-se na contemporaneidade no que tange a cultura do cancelamento, problema social causado pela má aplicação da liberdade de decisão da sociedade. Sob tais aspectos, é crucial o debate sobre os complexos paradigmas existentes.

Destarte, é importante ressaltar que a ausência de empatia é uma causa expressa da questão. Desse modo, pode-se citar os desgastes físicos e mentais gerados pelos constantes xingamentos e exposições típicos da cultura de cancelamento em relação às vítimas. A filosofia afirma que a empatia é um dos componentes da compaixão, e desenvolvê-la o torna capaz de compreender e não julgar o sentimento do outro. Lamentavelmente, quando se trata do cancelamento no cenário atual, os elementos formadores do sentimento de empatia são imperceptíveis, uma vez que, os praticantes deste ato esperam algo que eles consideram errado acontecer, para assim, atacar, degradar e envergonhar publicamente a reputação de alguém, gerando um ciclo constante de más consequências dessa lacuna.

Ademais, é notável que a cultura de cancelar faz parte das redes sociais atuais, presente sobretudo no Twitter, onde há muitos perfis anônimos. Portanto, diversas pessoas se escondem atrás de uma tela de computador para expressar sua opinião negativa, assim ferindo verbalmente outros indivíduos contrários aos seus valores e opiniões. Nesse contexto, o filósofo alemão Albert Einstein diz: “Tornou-se claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”, comprovando que a modernização dos meios de comunicação social se tornou uma das principais responsáveis pela disseminação de ódio no corpo social.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para coibir a problemática apresentada. Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades públicas e privadas, deve promover uma campanha educacional sobre a importância da empatia relacionada ao cancelamento. Tal projeto deve conter aulas ministradas por psicólogos e professores visando à conscientização dos indivíduos, para promover o respeito coletivo. Somente assim, o problema será gradualmente resolvido.