Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/11/2020

Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratado a sociedade perfeita, ou seja, que o corpo social, se padroniza pela ausência de conflitos. Entretanto, o que se percebe é uma sociedade antagônica a descrita por More, em que as mazelas herdadas pela cultura do cancelamento, instauram uma postura de irrespeito social. Portanto, esse panorama afirma que a problemática se baseia em dois alicerces fundamentais: a inclinação a violência e as atitudes tirânicas.                                                                          É necessário pontuar, de início, que a propensão a violência é um fator inerente à natureza humana. Consoante ao pensamento do filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, o ser humano sempre foi predisposto a incitar o linchamento aos outros e categorizar, tais ações, como condutas moralistas, com o caso da mulher adúltera, dissertado na Bíblia e também pelo filósofo Nelson Rodrigues. É evidente, que a cultura do cancelamento é a transposição do gosto do linchamento para o âmbito das redes sociais e provoca uma sensação de juízo moral.                                                                                            Em segunda análise, vale ressaltar que as atitudes coersivas oprimem ao invés de civilizar. Dessa forma, análogo à obra “Microfísica do Poder” de Foucault, o poder está no discurso das pessoas em uma rede que transcendem os indivíduos e o seu poder tirânico, se exibir, no momento em que se perde a diferenciação entre discordar e cancelar ,haja vista que o cancelamento traz consigo o desrespeito. Em virtudes disso, tais ações, são explícitas no caso da jornalista do podcast “Mamilos” em que teve sua vida privada exposta e suas filhas ameaçadas por falsos moralistas presentes nessa Cultura.                                                                                                                                                         Entende-se, diante desse exposto, a necessidade de se obter políticas públicas eficazes a compreender o assunto. Para tanto, compete ao Ministério da Educação unidos das instituições educacionais, propor debate com seus alunos e criar projetos pedagógicos, com a finalidade, de alertar sobre as consequências de incentivar a cultura do cancelamento, pois assim, é possível minimizar os efeitos gerados por esse malefício. Posto isso, o meio social avançará sentido a Utopia de Thomas more.