Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

Na série latina ‘‘Control Z’’, um grupo de adolescentes têm seus segredos expostos ao público e, consequentemente, sofrem com a ‘‘cultura do cancelamento’’ ao serem julgados e excluídos por seu grupo de amigos e seguidores da internet. Fora da ficção, essa cultura tem se disseminado por todo o mundo trazendo prejuízos e benefícios à vida das pessoas. Dentre eles, a intolerância na esfera digital e o fortalecimento de lutas sociais.

Primeiramente, é importante ressaltar que o ato de cancelar, por não deixar espaço para debates, não permite ideias distintas e, por esse motivo, acaba se tornando um movimento intolerante a ideias contrárias. De acordo com o artigo 19° da Declaração Universal dos Direitos Humanos, toda pessoa tem o direito de ser, pensar, crer e manifestar-se ou amar, sem ser alvo de humilhação ou discriminação. Dessa forma, a cultura do cancelamento desrespeita a declaração promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas) ao submeter pessoas, públicas ou não, a humilhação.

Ademais, salienta-se que apesar de haver prejuízos, essa cultura ajuda as lutas sociais a ganharem forças por serem colocadas na crescente comunidade digital. Segundo uma pesquisa realizada pela Hootsuite em 2019, 5.1 bilhões de pessoas possuem um aparelho celular, destes, 3.2 bilhões são usuários ativos em redes sociais. Tal dado mostra que a teia de pessoas formadas no ambiente digital permite que ideias se disseminem em uma fração de segundos, o que faz com que movimentos sociais ganhem seguidores e defensores facilmente. Sendo assim, acontecimentos socialmente inaceitáveis são denunciados com rapidez, fazendo com que lutas sociais surjam.

Portanto, tornam-se necessárias medidas que solucionem as problemáticas apresentas. Em primeiro lugar, cabe ao Governo conter as práticas de humilhação e discriminação às vítimas da cultura do cancelamento, por meio da criação de leis que punam os responsáveis que cometam tais práticas. Em segundo lugar, as redes sociais devem fiscalizar as publicações que promovam movimentos sociais, tendo como objetivo analisá-las para que o cancelamento seja em prol de uma luta social e não da humilhação de pessoas. Quiçá, dessa maneira, a cultura do cancelamento não seja tão prejudicial às pessoas que vivem na sociedade.