Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

O cancelamento começou a se propagar no início do ano de 2017 com a #MeToo onde o intuito desta era debater o papel das mídias sociais em meio às discussões de assédio sexual no âmbito público. Porém, nos dias atuais a cultura do cancelamento perdeu o senso de proporção, se antes se cancelavam famosos que haviam cometido abusos sexuais, hoje se cancelam qualquer pessoa que tenha se pronunciado de maneira errônea. Na sociedade contemporânea, o advento das mídias sociais abriu um espaço ainda maior para que a cultura do cancelamento viesse a se tornar algo tão presente, uma vez que, por meio destas, todos podem se tornar juízes e opinarem sobre assuntos que não lhes competem.

Segundo o Dicionário Macquarie, o termo “cultura do cancelamento” foi definido como termo do ano de 2019, com base nisso, faz-se perceptível o quanto este tem sido propagado e o quanto situações de “cancelamento” vêm acontecendo nos últimos tempos. Existem alguns casos que ocorreram de maneira “leve” e tiveram poucas consequências como por exemplo o caso de Rodrigo Branco ou do Dr. Drauzio Varella. Porém, houveram casos onde as consequências deste ato foram grave ou até mesmo extremas como por exemplo a Gabriela Pugliesi que perdeu todos seus contratos publicitários ou até mesmo o streamer ‘Reckful’ que chegou a se suicidar após receber ataques devido ao pedido de casamento público que realizou via twitter.

É importante ressaltar que, muitas vezes, a cultura do cancelamento intervém no direito pessoal do indivíduo expressar-se livremente. Em alguns casos, pessoas deixam de expressar suas opiniões por medo de serem cancelados pelos chamados “juízes virtuais” que, em grande maioria das vezes, não possuem ao menos fontes as quais possam recorrer para que realizem o cancelamento. É importante  corrigir atos ou falas indevidas das pessoas, porém de maneira respeitosa que não ocasione danos a sua integridade moral ou profissional.

Desta forma, medidas são necessárias para resolver este impasse. É necessário que instituições de ensino, em parceria com o Ministério da educação, cedam horários para que assuntos como esses sejam debatidos e comentados, ensinando os alunos a entenderem e aceitarem opiniões divergentes às suas. Além disso, o Ministério da Cidadania deve conscientizar a população acerca do que é a cultura do cancelamento e como esta atitude pode interferir negativamente na vida das pessoas, que por um eventual erro, podem acabar tendo suas vidas arruinadas graças  a propagação de informações pela mídia.