Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche, retrata o homem como um ser que evolui constantemente, tal como o animal que é imaturo por excelência. Seguindo essa perspectiva, a evolução científica em seu domínio tecnológico, refuta à tenacidade da chamada cultura do cancelamento, que caracteriza-se como uma exposição e punição de erros cometidos por indivíduos, sendo eles ou não figuras públicas, através de ataques virtuais mediante das redes sociais, como o Twitter ou Facebook. Nessa conjuntura, faz-se crucial debater sobre essa barbárie questão, motivada não apenas pelo individualismo, mas também pela sua evidente inclinação a violência.

A priori, é necessário salientar que as questões da sociedade estão ligadas intimamente com a cultura do cancelamento. Por conseguinte, tal como defende o sociólogo polonês Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, a sociedade contemporânea é fortemente influenciada pelo “eu”, e esse interesse próprio leva a existência de uma insensibilidade perante os problemas da comunidade em seu todo. Tal fato pode ser exemplificado nas distintas causas pelas quais alguém pode ser cancelado, uma vez que não há distinção de gênero ou raça, além de poder não haver a possibilidade da pessoa explicar-se por seus erros. Assim sendo, a harmonia e a plena vivência da cidadania são prejudicadas pelo indivíduo, no momento em que ele se torna suscetível a mais problemas deste falho sistema.

Em síntese, vale ressaltar que é dever do Estado responsabilizar-se pelo assentamento das condições básicas ao promover o bem-estar da esfera populacional, tal como alegou o filósofo francês Jean Jacques Rousseau. Conquanto, percebe-se que a visão do intelectual não há de se concretizar na sociedade hodierna, uma vez que não existem políticas públicas nacionais e internacionais, voltadas para a intervenção dentro da violência virtual e para o esclarecimento das verdadeiras consequências provindas dos discursos e movimentos de ódio, publicados dos deliberadamente nas mídias sociais, com o intuito de “cancelarem” alguém até mesmo por seus erros do passado. Assim, nota-se que ao não se voltarem para essa questão, que incentiva a problemática que é a cultura do cancelamento, o Poder Público e os órgãos de âmbito internacional, acabam por promover sua existência e ações.

Portanto, faz-se mister a tomada de medidas que amenizem tal problemática. Logo, no Brasil, cabe ao Ministério da Educação, junto das escolas, promover debates e palestras, que destaquem as consequências do linchamento virtual na sociedade, viabilizando a diminuição da forte onda de cancelamento das pessoas. Ademais, a inserção de políticas públicas internacionais, por intermédio da ONU, que intervenham de forma justa pelo indivíduo acusado, traçando uma investigação adequada, por exemplo, são essenciais para que o país e o mundo possam prosseguir rumo à um futuro íntegro.