Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Na obra literária “1984”, de George Orwell, há uma sociedade autoritária, cujas características marcantes são o intenso autoritarismo, o desprezo à diversidade e a criação de uma sociedade unilateral, em que as ações, pensamentos e opiniões são constantemente monitorados. Assim como a obra de Orwell, no Brasil contemporâneo, o desrespeito às diferenças é um fator constantemente presente, sendo intensificado por meio da cultura do cancelamento, conquistando uma grande proporção, causando, dessa forma, graves consequências psicológicas para a população. Essa cultura é o resultado direto da intolerância e da falta de debates e discussões pelos brasileiros, fazendo a propagação do ódio tornar-se um fator cotidiano na sociedade.
A priori, na contemporaneidade, por conta da intensa polarização, a intolerância às opiniões divergentes tornou-se comum na sociedade brasileira. Ela é intensificada significativamente por conta da cultura do cancelamento, em que a manifestação de uma opinião política contrária a de determinado grupo resulta em uma série de violências morais, causando consequências, tanto psicológicas, quanto à democracia. Como Steven Levitsky, o autor de “Como As Democracias Morrem”, disse: “polarização extrema mata a democracia”, sendo o caso de uma empresa norte-americana, que foi cancelada por apoiar o presidente Trump, um exemplo dessa situação alarmante.
Ademais, com a adesão das redes sociais no cotidiano das pessoas, o contato frequente com a diversidade de opiniões se tornou cada vez mais escasso. Com os algoritmos, a população apenas observa o que lhe agrada, não conseguindo conviver com grupos sociais ou com opiniões divergentes, resultando na inexistência de debates e discussões, fomentando no desrespeito e na falta de reflexão em massa acerca de novas ideais. Consequentemente, a cultura do cancelamento adquire uma exorbitante proporção, causando sérios impactos psicológicos, como a depressão e ansiedade, como a pesquisa realizada pela “Royal Society for Public Health”, com o “Movimento de Saúde Jovem”, que afirmou que o nível de envolvimento dos usuários com as redes, afeta os seus sentimentos.
Portanto, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos deve realizar políticas com o objetivo de incentivar o respeito às diferenças, reduzindo as consequências da extrema polarização, por meio de campanhas, tanto virtuais, quanto com as mídias televisivas. Além disso, o Ministério da Educação, por meio de suas secretarias, necessita promover a prática de diálogos e debates nas escolas, realizando, de forma conjunta, palestras acerca da importância da diversidade de opiniões na garantia de uma democracia, auxiliando, assim, na diminuição da cultura do cancelamento no país. Consequentemente, a realidade abordada pela obra “1984” não será mais uma realidade no Brasil.