Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

Desde a sua criação, em 1969, a internet tem como principal objetivo a promoção da comunicação entre pessoas e a difusão de informações. Com o passar dos anos, essa rede de informação transformou-se em um local essencial no que diz respeito à ampliação de consciência social junto à divulgação de pautas importantes que ganharam mais notoriedade. No entanto, foi criada uma sensação ilusória de liberdade no julgamento de pessoas, conhecida como a cultura do cancelamento, na qual o indivíduo considerado fora do padrão de pensamentos e condutas esperado é excluído e linchado virtualmente, comportamento originado pelo uso impróprio do livre arbítrio, o que ocasiona danos psicológicos e sociais para toda a população.

Em primeiro plano, exige-se, na internet atual, uma perfeição por parte dos usuários, que devem ter total conhecimento de todas as causas sociais e serem adeptos a essas. Dessa forma, ao falar-se, nas redes sociais, algo que vai de encontro ao que a grande maioria pensa, instaura-se uma dura inquisição sobre a pessoa, processo similar ao que como ocorreu na Santa Inquisição, tribunal religioso no qual eram julgados todos os que eram contra os dogmas pregados pela Igreja Católica, tendo sido consolidada na internet uma perseguição àqueles que não se apresentam dentro do padrão de pensamentos considerados corretos.

A cultura do cancelamento instaurada na internet tem como objetivo o repúdio a ações vistas como inadequadas, promovendo ataques e julgamentos às pessoas que praticaram a ação. Esses ataques tornam-se, por vezes, ameaças que infringem a integridade física e psicológica, colocando-as em risco, podendo relacionar essa situação atual à afirmação, feita por Santo Agostinho, de que é no mau uso do livre arbítrio que estaria a origem de todo o mal.

Portanto, a cultura do cancelamento, apesar de recente, vem apresentando-se como um problema social. Os Governos Estaduais, por meio de seus deputados, devem elaborar projetos de lei que tornem mais fortes as diretrizes referentes a crimes de ódio na internet, visando mitigar, ao máximo, a ocorrência de mensagens de ódio. Além disso, os criadores das redes sociais devem proibir a publicação de comentários ou mensagens que contenham conteúdo ofensivo, o que faria com que as opiniões, mesmo ainda existindo se tornassem mais brandas.