Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
O filme nacional ‘Aos Teus Olhos’ conta a história de Rubens, um professor de natação para jovens e crianças que teria sido acusado por um de seus alunos de pedofilia, na qual ganha uma rápida repercussão negativa na internet para o acusado, com o linchamento virtual extremamente presente ao longo da narrativa. Levando para a realidade brasileira, o ato de cancelar vem se tornando cada vez mais comum, não só para famosos, mas como também para qualquer tipo de pessoa que realize ou fale algo questionável, no qual, em decorrência da má utilização das redes sociais por usuários e a influência do ‘‘politicamente correto’’, tornam o cancelamento necessário em linchamento desnecessário e injusto.
Em junho deste ano, após sofrer ataques de internautas por pedir sua namorada em casamento pelo Twitter, Byron Bernstein tirou a sua própria vida, sendo considerado mais uma vítima da cultura do cancelamento. Acontecimentos como esse evidenciam cada vez mais a péssima utilização dos aplicativos de comunicação por parte dos usuários, na qual um ambiente que deveria ser apenas para uma troca de informações pacífica e uma ‘fuga da realidade’, vem se tornando cada vez mais um tribunal, com a enorme presença de falsos advogados, promotores e juízes.
Dentro dessa logística, o politicamente correto viria como baseamento ideal que aumentaria cada vez mais a péssima conduta do linchamento virtual, no qual a cultura do cancelamento seria um sucessor do trágico politicamente correto, que afetou diversos comediantes e artistas que possuíam ideais contrários aos defensores desse movimento, levando à censura, enfraquecendo a democracia e a liberdade de expressão proposta na Constituição Brasileira. Com isso, ao relacionarmos com a sociedade contemporânea, especificamente ao caso de Byron, vemos que, ao tentar fugir da realidade, ou seja, do considerado comum, ele acabou sendo altamente criticado, julgado e, principalmente, cancelado.
Portanto, a atuação do Ministério das Comunicações seria fundamental para realização de campanhas com divulgações frequentes de pesquisas e relatos sobre as consequências que um ato de cancelamento pode levar ao ‘‘cancelado’’, estimulando o convencimento de que a internet não seria um tribunal para os falsos moralistas. Além disso, cabe às mídias sociais realizarem campanhas que estimulem os usuários para o compartilhamento de ideias, fazendo um balanceamento entre liberdade de expressão e politicamente correto, monitorando indícios de cancelamentos desnecessários por parte dos dois lados, promovendo a democracia a fim de evitar casos como o de Byron.