Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/11/2020

A série britânica “Black Mirror”, exibida pela Netflix, em um de seus episódios denominado “White Bear”, uma mulher é perseguida, ameaçada e relembrada todos os dias de seus erros. Análogo à isso, a realidade pós-moderna, com os avanços da tecnologia, mesmo possibilitando engajamento, discussão e debates sobre diversos temas de cunho político, social e cultural, trouxe a cultura do cancelamento, a qual sobrevive de bloquear pessoas da esfera comunitária. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Primeiramente, vale ressaltar as redes sociais como forma de conversa e esclarecimento, principalmente no que se refere à esfera de conceitos aceitos e respeitados atualmente em sociedade, o que beneficia e estimula pautas importantes da área da diversidade, inclusão e respeito, além de denunciar e apontar atitudes impróprias. No entanto, segundo o filósofo Émile Durkein, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber suas origens e condições que depende. Assim, verifica-se que por mais que o movimento do “cancelamento” busque justiça, se não ajuda, cobra ou dá chance de melhora, fomenta e estimula o ódio e polarização tanto das pessoas que atacam quanto das vítimas.

Outrossim, a cultura de cancelamento aumenta o efeito de manada e gera consequências nas vidas das pessoas afetadas, as quais podem ficar desempregadas e ter a liberdade omitida, no caso de pessoas e ir à falência ou ter crises econômicas, no caso de empresas. De acordo com Michel Foucault, no livro “Vigiar e Punir”, pessoas que cometeram crimes, ao ir para a cadeia, sofrem diversos tipos de violência, as quais buscam corrigí-las e devolvê-las melhor para a sociedade. No entanto, a violência, assim como o cancelamento, são ineficazes, uma vez que não trazem propostas educacionais, comportamentais e debates para que haja uma melhora significativa e mudança.

Entende-se, portanto, que o Estado e responsáveis pelas redes sociais mudem a cultura do cancelamento. Desse modo, o Ministério da Tecnologia, em parceria com as plataformas digitais, devem disponibilizar textos, informações e conscientização para o público geral sobre condutas morais e éticas na internet, além de facilitar a ferramenta de denúncia em seus sites - para que crimes sejam realmente tenham justiça e não só repressão. Posto isso, o Brasil será mais justo e igual para todos.