Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/11/2020
A sociedade se mostra a cada dia mais intolerante e velhos costumes e hábitos já não são mais adequados. O racismo, à homofobia, o machismo vem sendo combatido em diversas redes sociais. Porém, à internet espera a perfeição de seus usuários e uma simples opinião ou atitude já são motivos para iniciar a “cultura do cancelamento”. “Cancelar” uma pessoa significa oprimir determinado usuário por algo feito ou dito de forma contrária a maioria.
O termo em questão foi eleito a palavra do ano em 2019 e ganhou mais visibilidade com o início da mobilização de mulheres vítimas de assédio ou abuso sexual. Ao contrário desse movimento, a cultura do cancelamento vem seguindo um caminho que é diferente da proposta inicial, que era debater assuntos relevantes no meio digital para simplesmente denegrir a imagem das pessoas por terem opinião diversas.
Na maioria das vezes, o cancelamento tem efeitos imediatos, onde a onda do boicote tem início tão logo o erro ou conduta tenha sido reprovado, onde os usuários se acham no direito de julgar e definir sentenças, denominados como o “Tribunal da internet”. Apesar dos julgamentos, porém, a cultura do cancelamento pode gerar um efeito contrário do pretendido, já que a proporção da exposição acaba gerando mais visibilidade ao “cancelado”.
Com isso, o propósito de se expor vários temas é para que haja liberdade de comunicação social, garantindo a livre circulação de ideias e informações. E a cultura do cancelamento, na forma como vem sendo feita, afeta o exercício do direito da livre manifestação. Assim temas importantes devem continuar sendo debatidos porém, sem ferir os direitos humanos.