Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da ausência de leis nas redes sociais, quanto da ignorância da coletividade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a ausência de leis na redes sociais deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a cultura do cancelamento surgiu na sociedade contemporânea, causando impactos negativos naqueles que sofrem o cancelamento como, o desenvolvimento de ansiedade, depressão e também, o cancelamento de contratos com empresas, assim, causando prejuízo financeiro. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a ignorância da coletividade como promotor do problema. Nesse sentido, a série sul-coreana “Pinocchio” mostra a realidade do personagem Choi Dal Po, que tem a família destruída por notícias falsas sobre o pai, as quais geram revolta na comunidade que exclui e ataca a família. A produção asiática alerta a coletividade acerca das consequências e do impacto que a cultura atual traz à vida das pessoas apontadas como culpadas. Tal obstáculo consegue combustível em uma coletividade com um olhar limitado acerca da realidade e que não está disposta a ser receptiva à mudança do outro. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a ignorância da coletividade  contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade contemporânea. Dessarte, com o intuito de mitigar a ausência de leis nas redes sociais, necessita-se, urgentemente, que o Governo Federal direcione capital que, por intermédio da Advocacia Geral da União, será revertido na criação de leis nas redes sociais, através de iniciativas populares. Desse modo, atenuar-se-á, em médio a longo prazo, o impacto nocivo da ausência de leis nas redes sociais em meio a cultura do cancelamento, e a coletividade alcançará a Utopia de More.