Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Conforme o sociólogo alemão Dahrendorf declara no livro “A lei e a ordem”, a anomia é uma condição social em que as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. Pode-se observar que sociedade contemporânea encontra-se em um estado anômico, uma vez que a cultura do cancelamento tornou-se uma questão a ser debatida, tendo em vista seu caráter prejudicial, por conta da sua motivação individualista, a qual pode acarretar graves consequências.
Precipuamente é necessário apontar a intolerância como característica desse movimento, no qual é mais prático isolar uma pessoa que cometeu um erro do que dar oportunidade para que a mesma se redima e evolua. Segundo Galiano Brazuna, psiquiatra entrevistado pelo site G1, “O cancelamento age como uma punição mais do que como apontar uma conduta errada e permitir que aquele que cometeu o erro se redima. Ao mesmo tempo aquele que pede o cancelamento pode estar fazendo um julgamento precipitado de situações que por vezes são mais complexas do que aparecem na mídia”. Desse modo, é evidente que essa corrente não tem um propósito positivo para ninguém.
Ademais, a cultura do cancelamento gera prejuízos reais para pessoas reais. De acordo com o site BBC news, ainda em junho de 2020 houve um caso em que uma professora foi acusada de racismo e uma petição pedindo sua demissão foi criada, isso após ter cochilado durante uma reunião online sobre justiça social. Sendo assim, a vítima dessas recriminações sofreu danos negativos impactantes na sua vida depois de ter cometido uma falha que não é anormal, além de que não foi dado a ela a opção de reparar seu erro e se justificar, demonstrando o quão radical e nociva é essa cultura. Consequentemente, é inaceitável a perpetuação desse quadro prejudicial, fazendo-se primordial mais diligência sobre esse problema.
Assim, é fulcral chegar no consenso de que a cultura do cancelamento é nociva para então buscar meios de vencê-la. Portanto, com o propósito de conter esse movimento, demanda-se que as figuras públicas com influência levem essa questão ao seu público, buscando alerta-los, assim como é importante que profissionais da psicologia e pesquisadores sobre comportamento humano abordem esse assunto em palestras e em seus meios de comunicação. Sendo assim, será possível conscientizar mais pessoas e evitar os futuros impactos negativos dessa adversidade.