Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Na série televisiva Black Mirror, em um de seus episódios intitulado “Odiados Pela Nação’’, é abordado o quanto o uso indevido das redes sociais pode ser nocivo e prejudicial. Nesse sentido, a narrativa foca em retratar o discurso de ódio existente nos meios virtuais de socialização e suas consequências. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no seriado pode ser relacionada ao Brasil atual onde, em decorrência da falta de diálogo e da polarização das redes, a fantasia torna-se realidade gerando uma cultura de cancelamento entre os usuários.
Inicialmente, a partir do aumento da popularidade das redes sociais no país, observa-se, por conseguinte, uma crescente inabilidade dos usuários em lidar com perspectivas diferentes das suas, ocasionando, assim, uma falta de diálogo cada vez maior. Nessa lógica, como evidenciado pelo filósofo e educador brasileiro Paulo Freire, “o diálogo cria base para a colaboração”. Logo, com a sua falta, ocorre a polarização dos meios virtuais.
Além disso, como referido pelo inventor das revolucionárias baterias de íon-lítio John Goodenough, “a tecnologia é moralmente neutra. Sendo assim, o que interessa é o que fazemos com ela’’. Dessa forma, tal perspectiva permite mostrar que a polarização decorrente de um mau uso das redes influi no aumento do discurso de ódio, dos ataques e tentativas de desqualificação entre os internautas que é cada vez mais presente.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de mudança do quadro atual. Para isso, urge que o Ministério da Educação, mediante parceria com as empresas das redes sociais presentes no país, desenvolva campanhas acerca dos problemas ocasionados pelo uso incorreto dos meios virtuais para, dessa maneira, conscientizar os usuários sobre as consequências de tal utilização. Ademais, com tais ações em prática, seria possível evitar os acontecimentos de “Odiados Pela Nação’’.