Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

A série mexicana “Control Z”, retrata a história de adolescentes que tem seus dados celulares hackeados e vazados, causando uma série de conflitos e “cancelamentos” das pessoas envolvidas. Uma das protagonistas da série, Isabela, teve sua identidade transexual revelada e por esse motivo, ela acaba se tornando vítima de transfobia. Desta forma, a vida imita a arte e observa-se que a cultura do cancelamento surgiu na contemporaneidade como uma forma de tentar realizar vingança com as próprias mãos, a fim de fortalecer pautas sociais de grupos oprimidos e ampliar sua voz. Logo, a falta de intolerância e de empatia de parte da população na sociedade atual, aliado a negligência do Governo Federal na falha da fiscalização de leis que defendam os cidadãos e que incentivem as pessoas à confiarem na justiça , são empecilhos para que se combata a cultura do cancelamento.

Em primeira análise, as redes sociais foram verdadeiros aceleradores para que tal fenômeno se espalhasse, uma vez que as notícias viralizam rapidamente e cerca de 62% dos brasileiros (segundo site canal tech) não sabe diferenciar uma notícia falsa e mesmo assim compartilham sem procurar saber a vericidade dos fatos. Este é um fator que impacta diretamente no que se trata da saúde mental e na vida social das vítimas, ja que as notícias podem ser facilmente manipuladas e espalhadas rapidamente. Logo, fica evidente a falta de empatia e tolerância das pessoas.

Ademais, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à segurança, respeito e ao bem-estar social. Entretanto, a realidade é justamente o oposto, já que os cancelamentos podem ser usados como um espaço de intolerância e de disseminação de ódio. A negligência do Governo federal é evidenciada no momento em que as pessoas passam a ter o pensamento de que é melhor fazer justiça com as próprias mãos do que contar com a ajuda da justiça brasileira para orientar as pessoas sobre as atitudes corretas que deveriam ser tomadas.

Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas a fim de coibir esta problemática. O Governo Federal aliado ao Ministério da Educação, devem fechar parcerias com as escolas para que sejam debatidos em sala, os impactos dos movimentos de cancelamento na internet por meio de aulas de projeto de vida que ensinem sobre educação midiática e o uso adequado das redes socais. Além disso, cabe as plataformas de stream como Twitter, Instagram e WhatsApp, aplicarem filtros de segurança para analisar fontes de virilização, a fim de evitar informações falsas. Por fim, o Governo Federal deverá atuar no sentindo de uma maior fiscalização das leis que defendam os cidadãos como o Artigo 138 que prevê pena para quem caluniar ou difamar alguém.