Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/11/2020

O enredo da série “Control Z” apresenta um grupo de adolescentes que têm seus segredos expostos ao público e, por causa disso, sofrem de bullying e exclusão social. Essa obra retrata uma situação similar ao que vem acontecendo na realidade, com o novo termo que vem se popularizando na internet, a “cultura do cancelamento”. Esse fenômeno tem se tornado cada vez mais comum, promovendo bullying e cyberbullying, exposições desnecessárias e até vazamento de dados privados na internet como resposta a qualquer erro ou atitude que desagrade a maioria dos internautas, ferindo o direito de livre opinião e até a segurança dos atingidos.

Em primeiro lugar, destaca-se que o cancelamento é caracterizado por não abrir espaço para escuta e diálogo com opiniões diferentes. Vindo de uma tentativa frustrada de designar culpados a problemas sistemáticos enraizados na sociedade, esse método não dá espaço algum para aprendizado e geralmente responde com humilhação e exclusão. Assim, essa intolerância contra pensamentos contrários discorda diretamente com o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante a todos o direito de ser, pensar, crer e manifestar-se sem ser alvo de humilhação ou discriminação. Dessa forma, é responsabilidade de ambas as iniciativas públicas como privadas de combaterem essa problemática para que esse direito seja garantido.

Além disso, é preciso evidenciar que também são preocupantes os efeitos que o esse fenômeno tem no “cancelado”, que sofre com ataques de ódio, exclusão, bullying e exposição de dados pessoais, como endereço e lugar de estudo ou trabalho, que podem causar riscos à sua segurança e bem-estar, além de interferir com sua vida pessoal. A exemplo disso, a cantora norte americana Doja Cat teve sua segurança comprometida ao ter seu endereço compartilhado nas redes sociais em repercussão de uma brincadeira mal interpretada com fãs.

Portanto, são necessárias medidas para garantir os direitos dos cidadãos e evitar que sejam expostos e ofendidos. Dado isso, cabe às equipes das redes sociais, como Instagram, Facebook e Twitter, tornar esses meios seguros para todos, trabalhando na melhoria do sistema de denúncias de posts que incitem ódio ou ataques virtuais de modo a garantir que os indivíduos possam desfrutar de seu direito à livre opinião sem sofrerem ataques. Ainda, a Justiça Federal deve promover maior fiscalização com casos de divulgação inadequada de dados, por meio da destinação de verba ao setor de crimes digitais, estabelecendo um exemplo e atenuando a impunidade desses crimes.