Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Segundo o filósofo Nietzsche o indivíduo não pode “ser bom”, ele pode apenas ser visto como “bom” em determinada situação. Contudo, na contemporaneidade, a sociedade vem adotando atitudes de caráter cada vez mais punitivo, tendo como exemplo a cultura do cancelamento, a qual pode ser definida como o ato de boicotar figuras (públicas ou não) por causa de atitudes questionáveis cometidas pelas mesmas. O hábito torna-se um problema à partir do momento em que é aplicado em opiniões e preferências pessoais, logo, pessoas são canceladas não apenas por se envolver em polêmicas, mas também por discordar de opiniões populares, fator que gera efeito contrário do pretendido, uma vez que estas não tem atitudes e posicionamentos “cancelado” e sim a sua imagem social.
Ademais, é válido discutir sobre sobre a estarrecedora intolerância e falta de diálogo por trás de muitos cancelamentos em redes sociais como “Twitter”, onde ações e falas de uma certa personalidade são expostas e julgadas pelo “tribunal da internet”, podendo citar como exemplo o caso de Harvey Weinstein, no qual a prática mostrou-se extremamente necessária, considerando que explicitava acusações de assédio sexual cometido pelo mesmo. Entretanto, essa cultura tornou-se uma nova forma de linchamento público exercitada por grupos sociais cada vez mais restritos, com opiniões e pontos de vista em comum, contra pessoas que fogem de seus padrões comportamentais ou intelectuais, de forma que, aos poucos, o debate inteligente esteja sendo abandonado e substituído pela disseminação de mensagens que pregam ódio e intolerância.
Outrossim, podemos citar a polarização social e a distorcida sensação de pertencimento que essa trás aos indivíduos, fator que está sendo intensamente agravado dentro das redes de comunicação, partindo do princípio que essas incentivam, por meios dos algoritmos, pessoas com a mesma linha de raciocínio a conversarem entre si e continuarem a consumir conteúdos apenas de seu interesse, intensificando dessa maneira um fenômeno popularmente conhecido como “bolha social”, situação que pode ser confirmada a partir de estudos da Universidade Duke, os quais apontam a rede social “Twitter” como uma grande influência dominante a agenda noticiosa de seus internautas.
Logo, para evitar o linchamento virtual causado pela cultura do cancelamento é necessário que ONGs especializadas na pauta, em parceria com personalidades com grande visibilidade dentro das redes, criem movimentos e hashtags que incentivem o debate inteligente, a pacífica troca de informação entre dois pontos de vista distintos e o estimulo ao pensamento crítico, enfraquecendo, dessa maneira, a polarização social dentro das redes.