Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
Em 2018, durante a vigésima primeira edição da Copa do Mundo, uma polêmica nas redes sociais brasileiras causou o chamado “cancelamento” de diversas figuras famosas, incluindo algumas que apoiaram o movimento. Tal caso demonstra uma situação alarmante no Brasil onde a própria população se encontra em um ato de censura em massa com a cultura do cancelamento, somado ao crescimento de grupos políticos e posturas sociais extremistas, ameaçam uma involução de aspectos valiosos de nossa sociedade democrática a respeito de liberdade de expressão.
A priori, conforme o jornalista Leandro Narloch comenta, a natureza do cancelamento em redes sociais seria decorrente da “velha patrulha ideológica e doutrinação em cima de ideias” exemplificado no movimento de caça as bruxas ao longo dos séculos XV, XVI e XVII. No que o filósofo Luiz Felipe Pondé explica “a cultura do cancelamento está enraizada numa característica do ser humano: ele gosta de jogar pedra nos outros”, mostrando uma causa sociológica desses movimentos quase inerente a todas as civilizações. Tendo com o advento das redes sociais um estopim para pessoas intolerantes pelos mais diversos motivos distinguirem-se e juntarem em grupos cada vez maiores, concluindo em um fatídico linchamento virtual de opiniões discordantes ou somente diferentes que podem sair do ambiente em rede.
Ademais, tal impasse começa a se expressar difundido em movimentos políticos e até na população em geral, vide as manifestações durante o Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, onde fora colocado um muro para separar as manifestações organizadas de ambos os grupos políticos para evitar um possível confronto violento entre eles. Além da presença de frases agressivas como “Tudo é coitadismo no Brasil” na campanha do atual presidente Jair Bolsonaro em 2018. Conforme uma matéria feita pelo jornal UOL notícias, era evidente uma escalada de frustração geral com o governo desde o início da década, presente em panelaços contra o governo já em 2013. Somado e amplificado pelo citado a priori ao longo dos últimos anos e conclui no surgimento de um cenário político intolerante ao debate e que pode causar danos a seu futuro.
Diante de tal situação, é de suma importância que o governo nacional, por intermédio de uma colaboração do MEC, MCTI e MDH, execute uma série de incentivos ao uso consciente de redes sociais em múltiplas maneiras dentro do ambiente social e familiar em campanhas de equipes formadas por integrantes de cada ministério. Além destes mesmos capacitarem o ambiente público a garantir a liberdade de expressão, por meio de estimular discussões saudáveis nos diversos cenários de trabalho e ensino público com o intuito de enfraquecer a conduta agressiva oriundo da internet.