Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
A série “Black Mirror” exibe em um de seus episódios uma sociedade movida por um aplicativo que avalia a reputação de cada indivíduo de acordo com suas atitudes, a saber disso caso a nota de algum usuário seja baixa, ocorre uma exclusão social. Analisando a ficção e relacionando-a ao contexto atual em que a sociedade vive a “Cultura do cancelamento” que apresenta-se como uma forma de apontar erros nas redes, entende-se que em sua grande maioria esse julgamento é feito de forma errônea, atentando para algumas ações ruins, como a opressão e o linchamento virtual. Nessa perspectiva algo precisa ser feito para diminuir o número de casos envolvendo o cancelamento virtual.
A priori, é de conhecimento geral que a “Cultura do cancelamento” é algo muito atual que surgiu como um alerta para diminuir o número de atitudes erradas apelando para o diálogo e tornou-se sinônimo de opressão e agressão. Conexo a isso, na obra “Modernidade Líquida" o autor Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é demasiadamente individualista e apática o que pode justificar a persistência desse problema na sociedade. Exemplificando tal visão, de acordo com a BBC News, em 2020 uma professora de teatro em Nova York foi acusada de dormir durante uma reunião online para tratar de ações por justiça racial, assim uma petição assinada por quase duas mil pessoas pede sua demissão, acusando-a de racista.
Para mais, o filósofo iluminista Voltaire afirmou que todos têm direito de manifestar sua opinião ainda que seja divergente das demais, entretanto, essa cultura tem cada vez mais interferido na liberdade de expressar-se livremente, já que ao expor algo ou tomar uma atitude considerada fora dos padrões aceitáveis, uma pessoa pode ser julgada e reprimida socialmente no meio virtual. A exemplo disso, tem-se o caso da blogueira Alline Araújo que após ter seu noivado acabado, decidiu manter a cerimônia sozinha para se divertir com familiares e amigos, mas foi tão criticada na internet que decidiu tirar a própria vida.
Portanto, frente ao exposto medidas são necessárias para acabar com a “Cultura do cancelamento” que vêm sendo um descaso aos direitos humanos. Para isso, o governo de cada país deve alertar a população por meio de redes sociais, visto que é a fonte em que os responsáveis pelos cancelamentos estão presentes, atravesda criação e divulgação de campanhas e propagandas, anúncios em vídeos ou com o apoio de influenciadores digitais, sobre o perigo de fazer justiça com as próprias mãos ou palavras. Outrossim, redes como o Twitter e o Facebook deveriam ter um controle maior para a segurança dos usuários, assim como já existe sobre noticiais falsas. Dessa maneira, o direito à liberdade de expressão sem medo seria aos poucos reconquistado.