Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
O movimento hoje conhecido como ‘‘cultura do cancelamento’’ surgiu em 2017 a partir do movimento denominado Me Too, no qual vítimas de assédio e abuso sexual se mobilizaram para expor as pessoas, com intuito de chamar atenção para causas como justiça social. O que torna esse fato preocupante é a proporção que causou, consequentemente pessoas canceladas por uma fala ou gestos, acaba sofrendo linchamentos, perdendo emprego e tomando ações até piores. Contudo, apesar de ter um primórdio altruísta, tal prática pode assumir faces insensíveis e intolerantes.
Como Pitágoras, filósofo e matemático grego, salientou, por meio da frase “Educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”, a falta de um comportamento empático da parte dos pais pode ocasionar complexas consequências. Partindo do princípio que o primeiro viés de reflexo comportamental é a família, a falta do estímulo à empatia, ao diálogo e à tolerância incentiva uma realidade na qual o indivíduo cresce numa espécie de bolha individualista. Dessa forma, a criança cresce acreditando que qualquer opinião diferente da sua é inválida e qualquer ato que discorde daquilo que ele acha certo é digno de ataques.
Além disso, o sentimento de superioridade é a causa secundária do problema. O cancelador se coloca em uma posição de superioridade ilusória e tende a enxergar somente o erro do próximo, promovendo críticas maldosas, sem dar-lhes a oportunidade de aprendizado e amadurecimento, que em grande escala podem ter consequências, como a depressão ou suicídio dos “cancelados”, por não conseguirem lidar com os ataques a sua pessoa.
Dessarte, conclui-se que a Cultura do Cancelamento tem efeitos imediatos e irreversíveis que trazem a tona intolerância e falta de empatia, deixando o acusado sem defesa. Sendo assim, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Dessa forma, o Governo Federal deve atuar em favor da população, por meio de campanhas de conscientização sobre as consequências dessa cultura através de verbas da união. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação, junto com a mídia nacional, aplique a obrigatoriedade do ensino de comportamento midiático, por meio de projetos e palestras nas escolas. Dessa forma, o cidadão crescerá exercendo a sua formação e compreendendo a importância do diálogo, da tolerância e do respeito.