Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/11/2020
Em uma sociedade em que a intolerância ainda se faz presente, a internet vem sendo um veículo responsável e relevante na quebra de preconceitos. O termo “cancelar”, apesar de recente, já é polêmico, e consiste em punir o usuário que comete uma ação que gera repúdio através da retirada do apoio do mesmo. A cultura do cancelamento, entretanto, atingiu um patamar em que correções e avisos se tornaram mensagens ódio para casos desnecessários.
Primeiramente, a disposição por expor e condenar atos alheios esteve sempre presente no ser humano, desde à Inquisição, na Idade Média, até as atuais mídias. O que começou como uma eficiente forma de denunciar discriminações, agora faz pessoas que nem mesmo cometeram crimes perderem seus empregos e ter que mudar de cidade ou estado, por medo de serem agredidas. Anteriormente, contas racistas, machistas e homofóbicas eram canceladas, contudo, atualmente não é necessário ter ofendido alguém para receber ataques, basta interagir com um perfil que cometeu um erro, desabafar ou ter tomado qualquer decisão que desagrade.
Um exemplo disso foi o cantor Shawn Mendes, que, ao vir para a cidade de São Paulo, não realizou um show por sentir-se indiposto, e foi cancelado por diversos admiradores, que lhe atacaram e até mesmo quebraram os seus produtos. Como disse o físico Albert Einstein: “tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa Humanidade”. É perceptível que o cancelamento não somente reflete o individualismo, problema já antes debatido por ser uma consequência da própria tecnologia, mas também é um agente propagador de ainda mais dicordâncias.
Portanto, urge que as mídias alertem os usuários sobre as adversidades dessa cultura, tais como a violência e aumento da polarização, a partir de hastags e conscientizações, de modo que, ao expor essas consequências, haja uma redução das manifestações de individualismo e correntes de cancelamento, principalmente as desnecessárias, para que assim, o foco dessas correções possa ser transferido para ações realmente prejudiciais à sociedade, e de forma menos violenta, para que, dessa forma, a intolerância seja algo apenas do passado.