Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/11/2020
O cancelamento é uma forma de exposição que tende a punir ou envergonhar alguém que cometeu uma atitude considerada inadequada. Nessa conjuntura, tal prática é executada principalmente nas redes sociais, conforme ocorreu em outubro de 2019, o cantor de funk MC Gui publicou em sua rede social um vídeo caçoando da aparência de uma menina, atitude que foi, imediatamente, repelida pelos usuários da internet, acusando o cantor de bullying e, assim, cancelando-o. Desta forma, é visível que a internet se tornou palco para julgamentos e discursos de ódio, gerando consequências desfavoráveis para a saúde mental dos usuários.
Em primeiro plano, o cancelamento se mostra, em grande parte dos casos, como uma boa alternativa para denunciar comportamentos preconceituosos e negativos. Deste modo, muitas pessoas se escondem atrás de uma tela de computador para manifestar sua opinião negativa, assim ferindo verbalmente outros indivíduos. Nessa situação, o filósofo alemão Albert Einstein afirma: “Tornou-se claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”, comprovando que a modernização dos meios de comunicação sem vigilância contribui para a falta de empatia.
Consequentemente, é evidente que o cancelamento afeta de forma negativa a sociedade, pois traz a concepção de que erros são inaceitáveis. À vista disso, muitos internautas sentem-se inseguros em expressar sua opinião por medo de julgamentos alheios. Contudo, em concordância com o poeta Fernando Pessoa, “Um homem perfeito, se existisse, seria o ser mais normal que se poderia encontrar”.
À face do exposto, é notório que é extremamente necessário que medidas devem ser tomadas para resolver essa complicação. Posto isso, o Ministério da Educação, em parceria com as instituições de ensino, deve advertir os jovens sobre os impasses causados pela cultura do cancelamento por intermédio de discussões e debates em sala de aula, buscando, assim, impedir que os alunos julguem os outros de maneira autocrática na internet. Em sintonia a isso, cabe ao Poder Legislativo reorganizar as leis de crimes cibernéticos, por meio da inclusão de punições mais severas àqueles que ofenderem um indivíduo ou grupo social de alguma forma. Assim, será possível tornar a internet um ambiente mais honesto e harmônico.