Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/11/2020
No livro Utopia de Thomas Morus, o autor aborda uma sociedade progressiva e harmônica - livre de qualquer mazela social. Entretanto, quando se observa a cultura do cancelamento, verifica-se que a sociedade idealizada por Morus não existe, de fato, na realidade. Dessa forma, é necessário um olhar mais atento à formação histórica brasileira e à falta de empatia do corpo social.
É indubitável que cada indivíduo é moldado de acordo com o meio, uma vez que, segundo John Locke, não existe o conceito das ideias inatas. Assim, observando a estrutura social, desde a colonização do Brasil, é notório que muito das bases formadoras como patriarcalismo, racismo, são hoje motivos de cancelamento, embora ainda presente nas falas cotidianas mesmo que de modo irrefletido, tal como ´´criado mudo´´ , nome dado para mesas de cabeceiras. Logo, é necessário uma política, não de cancelar, mas de ensinar, visando erradicar tais raízes.
Outrossim, percebe-se que a problemática ganha uma proporção maior com a falta de empatia para com o outro. Nas redes sociais, por exemplo, tal mazela é praticada, infelizmente, de forma egocêntrica, de modo que vem acompanhada de xingamentos e ameaças. Dessa maneira, quem cancela não busca ao menos compreender o porquê daquele pensamento e pelo o quê o ´´cancelado´´ passa, podendo o mesmo estar inserido em um quadro de depressão, ansiedade, sujeito a atitudes severas depois da aplicação da política do cancelamento.
É evidente, portanto, que a cultura vigente nas redes sociais, carece de mais atenção. Urge, pois, que o órgão escolar aborde em sala de aula as raízes brasileiras e expliquem-nas inseridas no século XXI , focando nas consequências da perenização delas. Além disso, cabe ao corpo social se policiar quanto às críticas feitas ao outro, uma vez que, hodiernamente, assim como a presa e o predador, um dia você cancela e no outro é cancelado.