Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/11/2020

Em meados de 2017, o termo “cancelamento” começou a ser utilizado para definir o boicote às pessoas que cometeram erros dentro e fora das redes sociais. Popularizado no movimento “#MeToo”, que denunciava nomes de agressores sexuais, os cancelamentos tinham como objetivo tentar romper as barreiras que protegem criminosos e levá-los à justiça. Entretanto, a cultura do cancelamento deixou de ser um movimento que busca por justiça e tornou-se um movimento de linchamentos online, muitas vezes por motivos inadequados.

É importante definir que a cultura do cancelamento começou tentando expor crimes que não haviam sido denunciados, como ocorreu com alguns casos de violência sexual que foram expostos na internet. Entretanto, o cancelamento também erra e afeta a vida de pessoas inocentes, esse foi o caso do estadunidense Emmanuel Cafferty de 47 anos. Infelizmente, quando ele estava fazendo o sinal de “ok” em seu carro, o sinal foi fotografado e confundido com símbolo supremacista branco. Por fim, Emmanuel foi demitido de seu emprego após sua foto viralizar e o homem ser cancelado no Twitter.

Uma representação do impacto dos cancelamentos ocorre na série britânica “Black Mirror” no episódio “Odiados pela Nação”. Como na vida real, as pessoas também são canceladas nesse capítulo do seriado, só que nesse, um hacker invade o sistema de comando de abelhas robóticas, utilizando delas para matar diariamente uma pessoa que esteja sendo cancelada nas redes sociais. Por fim, podemos utilizar desse exemplo para ver como as pessoas podem utilizar desses cancelamentos para cometer crimes, pondo em risco a vida de pessoas que podem nem estar envolvidas com o caso.

Diante dessa análise, fica evidente que o Governo Federal, pelo Ministério da Educação e Ministério das Comunicações, deve fazer uma campanha de conscientização que eduque a população sobre os efeitos negativos da cultura do cancelamento, veiculando esse material em canais de televisão e também ensinando os jovens nas escolas, assim,  buscando, no futuro, impedir que os cancelamentos se tornem um problema para a população brasileira.