Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 11/11/2020
Durante o período da Inquisição, a Igreja Católica julgou e condenou diversos indivíduos à morte pela simples desconfiança de que se tratavam de hereges. Na contemporaneidade, as redes sociais, fizeram com que um fenômeno semelhante se tornasse cada vez mais comum: o cancelamento. Esses linchamentos virtuais consistem em um grupo de usuários, geralmente anônimos, que se juntam para atacar outro usuário por uma ação que eles julgam como condenável, causando sérios danos à vida do “cancelado” . Desse modo, é evidente que a falta de empatia promovida pelas redes somada com o despreparo dos usuários acabou promovendo um ambiente tóxico de julgamentos e condenações, sendo necessário discutir a problemática.
De início, é válido ressaltar que a cultura do cancelamento é encorajada muitas vezes pelo anonimato dos usuários, especialmente o Twitter. Dessa forma, muitas pessoas se sentem livres para expressar suas opiniões negativas, assim ferindo verbalmente outros indivíduos. Nesse contexto, é possível destacar a frase do filósofo alemão Albert Einstein ao afirmar : “Tornou-se claro que nossa tecnologia ultrapassou a nossa humanidade”, comprovando que a modernização dos meios de comunicação no nosso século acabou contribuindo para a falta de empatia. Logo, faz-se necessário discutir meios para promover a empatia na internet.
Além disso, os internautas, muitas vezes adolescentes, nem sempre estão preparados para lidar com a pressão gerada pelas redes. Em vista disso, é possível traçar um paralelo entre a vigilância dos justiceiros virtuais, que também são, em sua maioria, adolescentes, e a crescente no número de jovens com depressão e ansiedade nos últimos anos. Segundo a OMS, nas últimas décadas o número de jovens com essas doenças aumentou em mais de 50%, o que, entre outros fatores, está relacionado com a toxicidade do ambiente virtual que acaba exigindo indivíduos perfeitos. Portanto, é fundamental garantir que os adolescentes tenham preparo para conviver com diferenças no ambiente virtual.
Diante do exposto, antes que a situação se agrave, é necessário intervir. Logo, é profícuo que as empresas digitais, que são responsáveis pelas redes sociais como Twitter e Facebook, criem políticas e anúncios que conscientizem os usuários sobre os problemas associados ao cancelamento e seus prejuízos para outros usuários. Essa medida deve ser tomada usando capital privado, tendo como resultado a compreensão dos usuários sobre a necessidade de ser tolerante na internet. Também, o Ministério da Educação deve orientar as escolas a adicionarem nas aulas Ética e Cidadania do Ensino Fundamental aulas sobre ética nas redes, ocasionando na adequação do comportamento dos jovens nas redes sociais. Apenas assim as redes sociais deixarão de ser ambientes tóxicos.