Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/11/2020

A série “Control Z” da Netflix, narra a vida de um grupo de adolescentes que estão sendo desprezados pelos colegas, em consequência da exposição de seus segredos nas redes sociais. Assim como a cultura do cancelamento, a qual uma pessoa é boicotada por atitudes que o público julgue como malpropício, sendo sujeita a unfollows e perda de consumidores dos seus conteúdos online ou mesmo físicos. No entanto cancelar pessoas é um modo pouco efetivo para indicar erros, podendo ocasionar resultados negativos contra quem cancela e quem é cancelado.

A cultura do cancelamento teve origem em um movimento que promovia denúncia e discussão de temas relevantes, como racismo, homofobia, machismo e violência sexual; hoje em dia acaba suscitando o repúdio do debate saudável, decretando, de forma instantânea, a punição ao agente, sem proporcionar a defesa prévia ou eventual aprendizado, em razão de não possuir viés de educar e reintegrar, mas apenas excluir. E mesmo que tal movimento tenha maior magnitude quando nos mencionamos pessoas ou empresas de prestígio público, atinge pessoas anônimas as quais podem ser igualmente “canceladas” por um grupo de amigos e colegas de trabalho.

O Manoel Vicente, psiquiatra, comenta que “cancelar” alguém na internet nada mais é do que um bullying de exclusão social o qual deixa sequelas permanentes. Exemplo disso é o cantor de MPB, Gustavito, o qual foi acusado de cometer um estupro em um post do Facebook, a partir dessa notícia seus shows foram cancelados e perdeu seus patrocinadores, entrou em depressão e não saiu mais de casa. Porém em setembro de 2019 ganhou uma vitória por calunia na justiça contra sua acusadora, mas mesmo com a vitória o estrago já estava feito.

Diante dos argumentos supracitados, são necessárias medidas para resolução do problema. Assim, a mídia precisa criar comerciais educativos por meio de propagandas institucionais e conscientização de cidadãos sobre palavras e atitudes cometidas nas redes sociais, para que não sejam cancelados e como resultado os quais cancelam pessoas tenham mais empatia. Por conseguinte, ao contrário de cancelar, ajudar e ensinar tais indivíduos.