Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/11/2020

Ao longo do processo de formação da sociedade civil atual, a Internet se consolidou como principal meio de comunicação pois agilizou os processos sociais econômicos. Entretanto, com inúmeros marcos positivos, nota-se na atualidade, a presença maléfica da “cultura do cancelamento”. Isso decorre, majoritariamente, do linxamento virtual e do narcisismo enraizado na mentalidade da população.

Convém ressaltar, a princípio, que o o pouco letramento dos brasileiros é um fator determinante para que o linxamento virtual ocorra, uma vez que as informações de como deve se comportar em meios digitais são mínimas. Dessa forma, o discurso de ódio prevalece e os internautas conseguem difamar a vítima e coloca-lá numa posição de “cancelada”. Essa realidade é reflexo de uma educação deficitária, que, por não oferecer uma formação social completa, não possibilita que o aluno esteja apto para lidar com opiniões diferentes de forma respeitosa.

Além disso, o pensamento narcisista presente na mentalidade dos brasileiros corrobora esse tipo de cultura. Essa realidade pode ser descrita nos verso de “Sampa”, de Caetano Veloso: “É que Narciso acha feio aquilo que não é espelho”. Sob essa ótica, o transtorno obsessivo pela própria imagem é tão grande a ponto do narcisista se enxergar como ser perfeito e inerrável e, como consequência disso, se dar o direito de cancelar o outro.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de Políticas Público-Privadas, implemente nas escolas um plano educacional que siga o modelo do educador Paulo Freire: que inclua no cronograma letivo, debates entre os alunos sobre variados temas no intuito de estimular o respeito acerca de opiniões diferentes e com isso, mitigar o discurso de ódio. Ademais, é necessário que essa proposta inclua, também, um grupo de psicólogos nas unidades escolares a fim de fazer um melhor acompanhamento do aluno e tratar a patologia do narcisismo individualmente. Outrossim, urge que as redes sociais se utilizem de avisos em seus sites, onde sejam estabelecidas regras do convívio virtual.