Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/11/2020

As recentes edições de famosos reality shows como “Big Brother Brasil” e “A Fazenda”, geraram uma onda de comentários nas redes sociais, entre eles está o cancelamento, que consiste em deixar de consumir o produto e ignorar uma pessoa por uma ação errada ou contraditória fazendo com que seus atos e falas se tornem alvo de linchamento nas plataformas digitais. O que surgiu como forma de delatar crimes e desrespeitos conta certas minorias, está se desviando de seu objetivo principal e se tornando algo raso e negativo.

Primeiramente, temos que compreender que a cultura do cancelamento é um reflexo da falta de empatia da sociedade moderna intensificada com o advento das redes sociais. O filósofo Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, fala sobre os diferentes poderes presentes na sociedade que querem controlar gestos, pensamentos e toda forma de comportamento. Desse modo o cancelamento praticado por determinados indivíduos, é uma justificativa para impor regras do que é certo e errado em certo contexto social, não procurando dialogar, fazendo com que não haja nenhuma mudança efetiva somente certo controle disciplinar.

A antropóloga e cientista social Rosana Pinheiro afirma que cancelar é sempre negativo. “O problema não é a crítica, mas sim é quando isso escorrega para uma negação do sujeito, do que a pessoa tem a dizer e do que faz”. Nessa lógica a cultura do cancelamento gera uma busca desenfreada por “justiça” formando pessoas intolerantes que se desviam totalmente do objetivo inicial que teve origem em grande protesto contra abuso sexual, o movimento “#MeToo”.

Em suma, o cancelamento tem, na sua maioria, um impacto negativo e necessita ser reinventado. Para isso a mídia, com seu potencial influenciador, deveria criar campanhas mostrando as consequências da cultura do cancelamento, a fim de que a sociedade compreenda o quanto é desnecessária e que devesse buscar outros meios de expor atos maldosos e combatê-los. Essa campanha também deve ser estendida para as escolas, que por meio de palestras possam discutir os malefícios desse aspecto cultural, para que os jovens que são os principais usuários das redes sociais consigam ter mais respeitos pelas opiniões divergentes e saibam apontar os erros de forma a alcançar mudanças positivas.