Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/03/2021

A série distópica “Black Mirror” retrata, em seu episódio denominado “Abelhas”, linchamentos virtuais a pessoas que expressaram falas problemáticas de conhecimento público. Embora fictícia, essa obra se espelha na realidade, em que a cultura do cancelamento se faz, cada vez mais, frequente nas mídias devido ao maior contingente de pessoas com acesso `a internet e também à falta de reflexão da sociedade para discenir até que ponto o cancelamento deixa de ser meio para aprendizado e se torna doentio. Assim, torna- se necesário o debate dessa problemática na contemporaneidade.

Em primeiro plano, o maior aceso à internet, com consequente acesso às redes sociais - Twitter, Intagram, Facebook - propiciou que falas problemáticas sejam repercurtidas facilmente e alcancem milhões de usuários em poucos minutos, desencadeando um efeito manada, insultos, julgamentos e até ameaças a quem proferiu algo desagradável à opinião pública. Sob essa ótica, a participante do BBB 21, Sarah Andrade, perdeu mais de um milhão de seguidores em seu Instagram após desagradar o público com seu posicionamento político que foi exposto por ela durante o programa. Dessa forma, é preocupante que, no Brasil, país democrático de acordo com a Constituição Federal de 1988, os indivíduos tenham medo de se expressar e serem atingidos por correntes de ódio.

Em segundo plano, a falta de empatia com a pessoa que errou é extremamente nocivo para a saúde mental de uma sociedade. Ademais, a ideia inicial do cancelamento é promover reflexão em quem supostamente errou para que se torne uma pessoa melhor, entretanto, sem saber os limites desse ato, ele pode se tornar extremamente tóxico e fazer uma vítima, uma vez que, a pessoa é isolada e criticada exageradamente. A exemplo disso, o participante do BBB 21, Lucas Penteado, cometeu alguns erros dentro do programa e foi isolado, humilhado e maltratado dentro  da casa do “reality show” e, tal tortura psicológica o levou a desistir do “Big Brother”. Dessa maneira, é notório que a cultura do cancelamento é perigosa já que pode motivar transtornos mentais em suas vítimas.

Logo, após o debate dessa problemática, evidencia-se a necessidade de medidas para combatê-la. Para isso, o governo deve promover discussões entre especialistas, como sociólogos, psicólogos e influenciadores digitais em perfis oficiais das redes para que atinjam o maior número de internautas. Outrossim, tais profissionais devem alertar as pessoas do perigo da cultura do cancelamento e incentivar a reflexão da sociedade acerca do assunto. Espera-se, com isso, um Estado com pessoas mais conscientes de suas atitudes e mais confortáveis pra expor seus pensamentos, para que assim, sejam corrigidas saudavelmente se preciso.