Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/11/2020
O movimento hoje conhecido como “cultura do cancelamento” começou há alguns anos e tem como objetivo chamar a atenção para a justiça social e a proteção do meio ambiente. Esta seria uma forma de expandir a voz de grupos oprimidos e forçar as marcas ou figuras públicas a tomarem medidas políticas. A operação de cancelamento é diferente de uma trolagem típica da internet e pode ser um insulto à coordenação, e muitas vezes ocorrem disputas entre os usuários. O “cancelamento” é um ataque à reputação, ameaçando os empregos atuais e futuros e a subsistência do cancelado.
Em teoria, qualquer atitude considerada discriminatória, injusta, imoral ou antiética deve ser considerada cancelada. Recentemente, para citar alguns exemplos, houve o caso de Gabriela Pugliesi, uma influenciadora digital, que foi cancelada por ter furado à quarentena. “A questão também é que não se anulam atitudes, mas pessoas. Todos nós podemos errar. Já se perguntou se nos anulássemos todas as vezes? Essas críticas podem levar à intolerância, o que não é saudável. Quando uma pessoa erra, ela pode aprender com um feedback positivo. Por exemplo, não há razão para criar um perfil fake para atacar em comentários, ou até mesmo gerar notícias falsas com frases fora de contexto, alerta Alison V. Marques.
Diante disso, o filósofo francês Michel Foucault afirmou que a vigilância associada à punição proporciona a “disciplinarização dos corpos”, fenômeno que predomina nas crenças, hábitos e saberes, tornando assim algumas ideias são padronizadas. Portanto, é possível perceber que essa cultura é produto da “sociedade controladora” descrita pelos pensadores, pois as redes sociais são um espaço de observação, não apenas de linchamentos, mas também como ameaças de morte que são uma característica da punição. Dessa forma, a internet se tornou um lugar onde todos podem julgar e “descartar” suas vidas à vontade.
Portanto, para coibir esse comportamento, o Ministério da Comunicação deve cooperar com a mídia para estimular as pessoas a discutirem a implementação do cancelamento e seu impacto negativo na vida privada e pública. Isso deve ser resolvido por meio de debates e palestras que abordem temas relevantes no cenário local, principalmente aquelas que estão sendo amplamente divulgadas na internet, e envolver especialistas que têm opiniões diferentes sobre cada assunto. Finalmente, esperamos que, conforme preconizado pelo sociólogo J. Harbermas, uma compreensão fundamental do bem-estar social possa ser alcançada com base em grande parte no diálogo pluralista e respeitoso entre os cidadãos.