Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/11/2020

Atualmente, muitas pessoas já passaram por esse tipo de desconstrução social. No entanto, algumas  têm experiências diferentes e não conseguem ver os próprios erros antes de serem rejeitadas pela Internet, então esse castigo é uma forma de educação. Essa forma de cancelamento pode levar a debates sobre racismo, preconceito contra determinadas classes sociais, xenofobia e homofobia. Mas os cancelamentos também podem acontecer para coisas triviais, como se expressar de forma diferente ou não gostar de determinado estilo musical.

Uma pessoa ser cancelada significa que ela fez ou disse algo errado, que não é tolerado pela maioria das pessoas, porém nem todas concordam com esse tipo de atitude, algumas pessoas insistem no cancelamento não porque concordam, mas porque acham que deve ser a opinião da maioria da sociedade e querem ser aceitas, entretanto, “cancelar” pessoas nunca resolveu nada, apenas afastou os equivocados da pauta em questão. O cancelamento dificulta o diálogo e impede uma mudança de comportamento e opinião, dessa forma, não há espaço para uma discussão.

Sem dúvida, a cultura do cancelamento reflete uma falta de empatia e falso moralismo social, que é exacerbada pelo surgimento das redes sociais. Ao julgar o comportamento de terceiros, eles não farão concessões para sua defesa, mas buscarão “fazer justiça” sem restrições. Isso fará com que indivíduos intolerantes sejam incapazes de dialogar e recebam retaliação excessiva, o que não apenas anula e cancela a fala do julgado, como também seu trabalho e vida em geral. O filósofo Michel Foucault, se expressou sobre as forças da sociedade que tentam controlar os gestos, o conhecimento e as diversas formas de comportamento em sua obra “Vigiar e Punir”. Desse modo, é importante destacar que a abolição de certos assuntos que representam a moralidade de grupos que têm poder em um determinado contexto social, é motivo para impor normas supostamente corretas, na sociedade, mas  mas que contradizem seu discurso no momento em que somente julgam atos e falas tidos como incorretos.

Portanto, a sociedade precisa ter uma compreensão mais profunda dos efeitos negativos desta cultura.

Nesse sentido, cabe à mídia criar campanhas que abordem as consequências da cultura do cancelamento, com o intuito de que  compreendam que ela é desnecessária, e que a mudança deve partir do diálogo. Além disso, essa campanha deve ser expandida para as escolas com o apoio do Ministério da Educação, que deve discutir com psicólogos e educadores as desvantagens dessa cultura, por meio de palestras e rodas de diálogo, para uma sociedade mais compreensiva. Assim, as pessoas podem respeitar mais as opiniões divergentes e terem mais empatia.