Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 13/11/2020
O episódio “Odiados pela nação”, da série “Black Mirror”, retrata inicialmente o ataque sofrido por algumas pessoas através das redes sociais devido a posicionamentos e pensamentos não aceitos socialmente. No entanto, as constantes perseguições ultrapassaram as barreiras digitais e promoveram a morte de inúmeros indivíduos. De maneira análoga, na realidade brasileira hodierna, a cultura do cancelamento figura como um dos principais entraves a ser combatido, tendo em vista suas características violenta e autoritária. Esse quadro é reflexo não só de um país historicamente intolerante, mas também de uma sociedade pautada pelo controle.
A princípio, vale ressaltar que a dificuldade de respeitar diferentes comportamentos e pontos de vista configura um fundamento do impasse. Nessa perspectiva, o cancelamento de pessoas no mundo virtual revela uma faceta histórica do Brasil: o autoritarismo - que incita a intimidação daqueles que não seguem a opinião majoritária de um grupo a fim de silenciá-los. Assim, a verificação de uma comunidade virtual excludente e opressora é a materialização da intolerância, já existente, em um meio no qual esse tipo de atitude ganha respaldo rapidamente pela disseminação de discursos de ódio.
Em suma, fatores histórico-sociais estão no cerne da problemática. Logo, com o intuito de coibir práticas dessa natureza, cabe ao Ministério da Comunicação, em parceria com a mídia, fomentar discussões acerca do funcionamento dos atos de cancelamento, assim como dos impactos negativos gerados por eles tanto na vida privada, quanto na pública. Isso deve ser feito a partir de debates e palestras que abordem temas relevantes no cenário local, sobretudo assuntos que já foram amplamente difundidos na internet, com a participação de especialistas detentores de opiniões distintas em cada questão.