Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/11/2020

Cultura do cancelamento consiste em uma prática punitivista e ineficaz para repudiar a atitude de determinada pessoa, isto é, possui seu intuito principal voltado para a justiça com as próprias mãos. Contudo, a questão é: uma grande quantidade de pessoas massacrando um indivíduo vulnerável e humano como qualquer outro irá trazer benefícios, como o reconhecimento do erro cometido ou trará traumas e até mesmo rebeldia com relação às acusações?

Em primeira análise, pode-se fazer um paralelo da cultura do cancelamento com uma rigorosa lei islâmica chamada “sharia”, a qual se baseia na ideia de que aquele que rouba deve ter sua mão direita cortada fora em praça pública, onde centenas de pessoas podem presenciar sua punição humilhante. Em vista disso, as pessoas que tomaram conhecimento do erro daquele indivíduo, seja por presenciar sua pena ou por reparar no membro amputado, olharam para ele para sempre com outros olhos, além disso, as chances do acusado se reinserir socialmente são mínimas.

Em segunda análise, têm-se os dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) que apresentam uma estatística considerável no aumento de indivíduos que desenvolveram depressão, ansiedade e problemas em se relacionar socialmente devido as mídias sociais, que proporcionam a ilusão de uma “terra sem lei”, onde a qualquer momento você pode ser julgado e pressionado pela massa de pessoas que se expressam sem receio de uma punição para seus discursos de ódio. Portanto, ao invés de provocar melhorias na sociedade como um todo, esta forma de correção social cria pessoas traumatizadas.

Em vista disso, medidas devem ser tomadas para resolver a problemática, tais quais: que as redes sociais apliquem políticas de interação eficazes e rígidas para que esse tipo de prática seja impedido, além disso, deve-se conscientizar os usuários que a melhor forma de evitar novos erros de alguém é apresentar as razões pelas quais aquilo é caracterizado como errado e caso isso não seja suficiente, deve-se recorrer às autoridades.