Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/11/2020
Segundo Jean Jacques Rousseau, pensador iluminista do século XVIII, “a concordância faz com que permaneçamos estacionados e a discordância faz com que cresçamos”. Nesse contexto, a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea seria uma maneira de amplificar a voz de grupos oprimidos e promover mudanças, principalmente por meio da internet. No entanto, a falta de empatia e a imprudência no âmbito jurídico geram consequências enormes na vida de quem é cancelado.
Em primeira análise, na medida em que coloca em risco a integridade moral e a dignidade de quem é alvo do discurso de ódio, a cultura do cancelamento, atrelada a falta de empatia passa a ser manifestação de intolerância. Alfred Adler, psiquiatra escocês que fora seguidor de Freud, mostra em sua teoria da Psicologia Individual que os seres humanos são egoístas, principalmente quando investidos de interesse social. Nesse sentido, as pessoas enxergam somente o erro do próximo, promovendo críticas maldosas que ocasionam várias consequências, entre elas prejuízos financeiros e sociais e traumas psicológicos e emocionais.
Além disso, na atualidade há um descontentamento com o âmbito jurídico e uma sensação de que, na internet, se não fizerem o cancelamento, as pessoas não serão punidas. Isso se deve, sobretudo, às impugnativas leis virtuais e ao imediatismo provocado pelas redes sociais. Sendo assim, famosos ou não perdem seu emprego e os meios de subsistência atuais e futuros em questão de pouco tempo. Exemplo disso é o caso do jornalista William Waack que foi cancelado, após o vazamento de um vídeo no qual fazia comentários racista, e demitido da Rede Globo.