Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/11/2020
Na série televisiva “Black Mirror” em um episódio intitulado como “Queda Livre”, as pessoas são classificadas de acordo com sua reputação em um aplicativo e, caso essa seja baixa, há a exclusão social. Hodiernamente, na sociedade contemporânea, a cultura do cancelamento vem ganhando mais espaço nas redes sociais à medida que categoriza os indivíduos como bons ou ruins com base em suas ações, promovendo a exclusão social por meio do “cancelamento” e transformando essa ferramenta em um meio opressor. Tal viés acontece devido à fatores coercitivos e ao individualismo, tornando-se necessária uma análise acerca do assunto.
Em primeiro lugar, é importante destacar como a coercitividade das pessoas contribui para a permanência desse empecilho. Segundo o conceito de “Mortificação do Eu” de Evering Goffman, por influência de fatores coercitivos o cidadão perde o seu pensamento individual. Nesse sentido, a cultura do cancelamento é um grande exemplo, ao passo que ela se trata de uma onda que incentiva as pessoas a deixarem de apoiar personalidades socialmente conhecidas, em razão de um erro ou conduta reprovável. Dessa maneira, é possível observar que o pensamento coletivo tem influência sobre o pensamento individual.
Além disso, o individualismo na sociedade tem papel importante para essa cultura difundida na internet. De acordo com Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. Nessa perspectiva, a tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica no que tange à cultura do cancelamento, uma vez que dentro dela não há a empatia para o “cancelado”, demonstrando-se pouca ou nenhuma solidariedade. Dessa maneira, essa liquidez que influi sobre o assunto funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, são necessárias medidas para alterar o cenário recorrente. Para tanto, urge que os governadores estaduais, por meio de verbas destinadas pelo Governo Federal, promovam campanhas publicitárias acerca dos malefícios da cultura do cancelamento para os indivíduos, além do “merchandising” social, por intermédio das redes sociais - como Facebook, Instagram e Twitter- ao criar vídeos que retratem a importância da empatia e do pensamento individual na internet, com o fito de promover a solidariedade e a criticidade nos cidadãos. Desse modo, poderá ser alterado o cenário antes visto na ficção de “Black Mirror” e na sociedade contemporânea.