Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/11/2020
Santo Agostinho defendeu a ideia de imortalidade da alma, em que cada indivíduo pode usar o bem ou o mal tendo sua liberdade de escolha ou livre-arbítrio. Nesse sentido, Santo Agostinho afirmou que é no mau uso do livre-arbítrio que estaria a origem de todo o mal. A valer, tal afirmação pode ser confirmada na atualidade no que tange a cultura do cancelamento, problema social ocasionado pelo mau uso da livre decisão da sociedade. Sob tal perspectiva, convém debater acerca dos impasses que impedem a resolução da questão.
Em primeira análise, nota-se que a falta de empatia é causa expressa da questão. A filosofia descreve a empatia como sendo um dos componentes da compaixão. Nessa lógica, desenvolver empatia é reconhecer e compreender, sem reservas ou julgamentos, o sentimento do outro. Infelizmente, quando se aborda o cancelamento no cenário atual, nenhum dos elementos formadores da empatia são percebidos, uma vez que, os praticantes deste ato esperam algo que eles julgam errado acontecer, para assim, atacar a reputação, perseguir e envergonhar publicamente alguém, alimentando as más consequências provenientes dessa lacuna.
Ademais, o sentimento de superioridade é a causa secundária do problema. Tal afirmação se faz presente em questões como o julgamento na sociedade contemporânea, visto que, a população que se sente superior tende a enxergar somente o erro do próximo, promovendo críticas maldosas que em grande repercussão podem ocasionar em consequências como a depressão e o suicídio dos “cancelados” por não conseguirem lidar com os ataques a sua pessoa.Portanto, medidas são necessárias para resolução dos impasses. O Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve promover uma campanha educacional sobre a importância da empatia relacionada ao cancelamento. Tal campanha deve conter aulas ministradas por professores e psicólogos visando à conscientização dos indivíduos, para promover o respeito coletivo.