Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/11/2020
Em 2020, a blogueira Gabriela Pugliesi foi alvo de julgamentos na internet por promover aglomeração durante a pandemia do Covid-19. Analogamente, na sociedade brasileira contemporânea, devido à opiniões expostas no meio virtual, a cultura do cancelamento é vista com frequência. Dessa maneira, é importante entender como a necessidade de desconstrução social e de punir certas condutas fortalecem a problemática.
Em primeiro plano, certas opiniões não são mais toleradas na sociedade atual, exigindo mudanças. Ou seja, casos de atitudes racistas, homofóbicas, discriminatórias, entre outras intolerâncias fazem com que a sociedade veja como solução cancelar esse tipo de usuário. No entanto, a melhor escolha não é o cancelamento, mas um debate consciente a respeito de certos temas. Nesse sentido, o filósofo inglês Nick Couldry, em sua obra “Porque a voz importa”, relata a importância do diálogo como forma de desconstrução social e evolução pessoal. Por isso, o diálogo e outras formas de debate consciente devem ser incentivados.
Consequentemente, a necessidade de castigar alguém instiga o ódio e a exclusão do cancelado. Nesse viés, conforme o sociólogo Pierre Lévy, toda tecnologia cria seus excluídos. Sendo assim, os casos de linchamento virtual e ataques cruéis à condutas intoleráveis causam a exclusão social do cancelado, por determinada pessoa ou grupo. Como exemplo, o caso da blogueira Pugliesi, que perdeu mais de cinco contratos de trabalho, o que demanda de ação pontual.
Fica evidente, portanto, que a cultura do cancelamento precisa ser combatida. Logo, é dever da mídia engajada, em parceria com aplicativos, como o Twitter e o Instagram, incentivar projetos de incentivo ao diálogo como forma de desconstrução social, sem medidas bruscas de cancelamento, por meio de “lives” e postagens que relatem impactos negativos na vida dos cancelados, tal ação pode ser reconhecida como: Diga não ao linchamento virtual, e tem como finalidade acabar com o cancelamento na internet. Somente assim, casos como o da blogueira Gabriela serão menos frequentes.