Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/11/2020
De acordo com o filósofo Jean-Paul Sartre, cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois esse seria livre e responsável. Porém, no que concerne à cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, nota-se que tal responsabilidade não é efetivada. Isso se deve ao modo como, muitas vezes, o cancelamento é feito: de modo desproporcional e muito negativo à vida da pessoa que é alvo. Nesse contexto, o problema precisa de debate e tem causa na falta de empatia e nas questões socioculturais consequentemente.
A princípio, cabe mencionar a falta de empatia como principal propulsor da problemática. Conforme Zygmunt Bauman, sociólogo, a sociedade atual tem como característica o individualismo e a fragilidade dos laços entre as pessoas. Tendo isso em vista, culturas como a do cancelamento são facilmente geradas, já que, ao verem algo com que não concordam, as pessoas, motivadas por esse individualismo, tendem a não se colocarem no lugar do outro. Dessa maneira, atos como o de “cancelar” alguém são efetivados, sem, muitas vezes, levar em conta as desproporcionais possíveis consequências na vida do alvo, como a perda do seu emprego por algo antigo.
Em consequência disso, são criadas questões socioculturais, que impulsionam o problema. Consoante a Durkheim, sociólogo, o pensamento coletivo influencia o pensamento individual e possui caráter coercitivo. Sob essa ótica, ao estarem diante de uma forte cultura de cancelamento, os indivíduos, mesmo aqueles não adeptos a essa inicialmente, são coagidos pela mesma a se integrarem a tal ato, decorrente da falta de empatia. Dessa forma, com mais adeptos a essa específica conduta, o problema é impulsionado.
Portanto, são necessárias medidas, como debates, para a desconstrução e a resolução da problemática. Sendo assim, o governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve elaborar “workshops”, em escolas, abertos ao público. Tal medida deverá se dar por meio de palestras de sociólogos, as quais abordarão e debaterão conteúdos acerca da falta de empatia como principal propulsora do problema, a fim de combater tal costume e superar o impasse.