Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 18/11/2020
De acordo com os ideais Iluministas, uma sociedade só progride quando um mobiliza-se com o problema do outro. Entretanto, isso não é posto em prática quando observa-se a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, tendo em vista as poucas políticas públicas de combate ao problema. Tal impasse persiste na sociedade brasileira não só pelas fracas leis existentes, como também por falta de empatia da população.
Mormente, é válido ressaltar a falha presente na execução das normas do país. Diante disso, a Constituição Federal de 1988, no artigo 6, consta a segurança e o bem-estar como direitos sociais do indivíduo. Todavia, percebe-se uma falha nessa cláusula, haja vista que os indivíduos que praticam discursos de ódio nas redes sociais das vítimas, ou até mesmo em locais públicos, não são devidamente punidos pelos seus atos. Destarte, mostra-se a necessidade de mudar essa realidade, pois essa violência verbal aliada à falha do sistema das leis do país colabora para o aparecimento de sério danos na saúde mental e física da vítima.
Outrossim, a ausente compreensão da população com quem sofre com a cultura do cancelamento ajuda na persistência do impasse. Nessa perspectiva, em muito dos casos, várias vítimas sofrem com esse problema por, em algum momento, terem cometido erros e parcela da sociedade insiste em relembrar tais atos com atitudes desrespeitosas com o cidadão. De acordo com Emillé Durkhein, cientista político e pai da sociologia, o indivíduo é influenciado pelo meio na sua forma de pensar e agir. Diante desse cenário, vê-se a necessidade de políticas públicas que mudem tais atitudes cometidas por parte da população, pois o respeito é um direito de todos os indivíduos segundo a Constituição.
Urge, portanto, que o Poder Legislativo, por meio de uma emenda constitucional, reforce as leis de combate à cultura do cancelamento na contemporaneidade. Tais leis devem ser melhor executadas pelo Poder Executivo, com o fito de atenuar a problemática e promover uma maior segurança e bem-estar para quem sofre com isso. Ademais, cabe ao Ministério da educação, com debates em escolas, rádios e tvs, divulgue as consequências para quem pratica essas atrocidades, incentive a ressocialização das vítimas e o respeito para com todos, com o objetivo de promover mais empatia em toda a sociedade. Espera-se, com isso, um meio social justo e organizado que coloque em prática todos os direitos presentes na Constituição Federal de 1988.