Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/11/2020
Segurança, um direito de todos e um dever do Estado. Segundo a constituição federal de 1988, todo indivíduo possui pleno direito à igualdade, liberdade e segurança sem distinção de qualquer natureza. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que a Carta Magna prega, uma vez que a cultura do cancelamento apresenta barreiras, nas quais dificultam a concretização dos planos previstos pela CF88. Esse cenário antagônico é fruto da exclusão de pessoas quanto suas atitudes e discursos em consonância com a manifestação do discurso de ódio e intolerância. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
A priori, cancelar um indivíduo significa denegrir uma pessoa, pública ou não, em razão de sua conduta social ou atitudes consideradas preconceituosas ou machistas, no qual a principal ferramenta dessa prática são as redes sociais. Ademais, existe ainda o resgate de falas e pensamentos anteriores para legitimar a punição de alguém que cometeu uma atitude inadequada no passado. Dessa forma, tal cultura fere a discussão democrática e o direito de defesa assegurados pela CF88, pois essa ação consiste apenas no cancelamento superficial e antidemocrático, que acarreta impactos negativos na vida dessas pessoas, tais como prejuízos a saúde mental, financeira e exclusão social.
Somando-se a isso, é possível destacar ainda que essa cultura, a medida que coloca em risco a integridade moral e dignidade de quem é alvo do discurso de ódio, passa a ser manifestada através da intolerância promovida pelos usuários das redes sociais. Desse modo, as pessoas, de fato, entendem que diversos comportamentos não são aceitos na sociedade, entretanto, em muitos dos casos enxergam apenas o erro do próximo, promovendo críticas maldosas e ameaças que ocasionam várias consequências negativas e não toleram, no caso de pensamentos anteriores, o fato de que o ser humano está em constante mudança e evolução.
Portanto, é imperioso o empenho das plataformas digitais Instagram e Twitter na elaboração de políticas que explane o problema, por meio de anúncios e campanhas nas redes sociais e mídias, com o intuito de conscientizar a população sobre as consequências do cancelamento, além da disponibilização de lives, com o auxilio das figuras públicas para promover debates sobre essa cultura e a forma como ela se manifesta, para que dessa forma haja a diminuição dessa prática. Cabe, ainda assim, o poder Executivo em consonância com o Judiciário, na criação de políticas rígidas para combater essa prática, através da fiscalização de comentários e discurso de ódio deferidos a uma determinada pessoa, estipulando multas e bloqueio temporário desses usuários, a fim de concretizar os direitos previsto na Carta Magna e reduzir a cultura do cancelamento na sociedade hodierna.