Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 21/11/2020
A punição de pessoas que praticam algo reprovável pode ser observada desde os primórdios da vida em sociedade, um caso clássico foi o banimento de Adão e Eva do paraíso após a violação do fruto proibido. Contudo, com o advento das redes sociais surge uma nova modalidade de se “banir” alguém, desta vez não se faz mais necessária a exclusão física do errante, bastando apenas a exposição do fato nas mídias e sua posterior “viralização”, a qual irá vir acompanhada de comentários inquisitórios e polêmicos. A esta prática dar-se o nome de cultura do cancelamento. Todavia, este fenômeno apresenta aspectos positivos e negativos. Logo, o debate sobre as consequências da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea deve ser trabalhado com veemência.
A princípio, vale destacar que o cancelamento de determinada pessoa, em virtude de alguma ação ou comentário, sem que lhe seja concedido o direito do contraditório e a ampla defesa além de ilegal é algo reprovável, pois há o risco de punir um inocente. Um exemplo disso foi o caso do suposto estupro que teria sido praticado pelo jogador de futebol Neymar, no ano de 2019. Na ocasião, o futebolista sofreu duras criticas e sentiu na pela o poder do cancelamento digital. Entretanto, no final das investigações a suposta vítima de estupro foi acusada de fraude processual e extorsão, já o Neymar foi inocentado. Assim, o prejulgamento pode transformar vítimas em agressões diante da ótica pública.
Por outro lado, a cultura do cancelamento quando empregada de forma justa e proporcional pode reprimir atitudes reprováveis como o racismo e o preconceito. Nesse viés, o cancelamento funcionaria como a punição descrita na teoria comportamental do psicólogo Frederic Skinner. De acordo como essa teoria, ao se aplicar punição a determinada atitude cria-se uma modulação deste comportamento, de forma a modificar a postura do autor da ação quando o mesmo for exposto a uma situação semelhante. Desta maneira, o cancelamento de pessoas preconceituosas e racistas levaria a uma mudança de postura daquele que é cancelado, afim de uma aceitação social.
Portanto, é imperioso o debate sobre as consequências da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Assim sendo, o Governo Federal por meio do Ministério da Educação deve inserir no calendário escolar uma data para que se possa debater a problemática com docentes e discentes, com o objetivo de fomentar o entendimento dos benefícios e malefícios que o cancelamento pode trazer para a sociedade. Ademais, a mídia deve trabalhar a temática por campanhas publicitárias que conscientizem os usuários da internet a não realizarem um prejulgamento sem que haja a análise de todos os fatos.